Como os Browns viraram a para cima dos Titans

ANÁLISE TÁTICA

Uma virada sensacional, sem sombra de dúvidas. O que o Cleveland Browns fez diante do Tennessee Titans foi absurdo, tirou uma diferença de 25 pontos e venceu em Nashville, a maior virada da história da NFL fora de casa. Mérito para Brian Hoyer e companhia, que saíram de um buraco absurdo e venceram a segunda na temporada.

Porém, uma análise fria mostra que, embora tenha usado um conceito interessante, o coordenador Kyle Shanahan não inventou a roda, realizou jogadas até de certo ponto simples e contou com uma falha absurda da defesa dos Titans nos lances dos dois últimos touchdowns. Vamos a eles:

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28 a 15 Titans, jogada do primeiro touchdown

Graphic1 A ideia de Shanahan nas duas jogadas  foi a mesma: atrair toda atenção da defesa para o lado direito, para que o WR Travis Benjamin fique com uma cobertura simples. No mano a mano, Travis dá um corte brusco para o lado esquerdo, consegue separação suficiente para receber a bola. Jogadas double move são ideais para tentar receber a bola com marcação individual.

 

Graphic2A jogada utilizada pelos Browns foi um pay-action, onde o QB finge que vai entregar para uma corrida do running back, fica com a bola e faz o passe. Repare que quase toda defesa engole a corrida, até porque Ben Tate fazia um ótimo jogo pelo chão. O único a não cair na jogada foi o OLB Shaun Phillips, que foi para cima de Hoyer.

 

Graphic3Brian Hoyer escapa de Phillips, fica com uma raia livre para lançar. Quando Benjamin vê a possibilidade de receber a bola, corta bruscamente para o lado esquerdo. Há um baita espaço sem cobertura, pois o safety foi atraído pela movimentação dos recebedores para a direita. O CB Brandon Harris escorrega na hora que o wide receiver muda de direção, o WR dos Browns fica completamente livre para receber a bola. Touchdown que diminuiu a diferença para seis pontos, com 6:47 para o final do jogo.

Com três minutos para o fim do confronto, mais uma bobagem do time da casa. Os Titans estavam em uma quarta descida para uma jarda ainda no campo de defesa. Ao invés de chutar a bola de volta e devolver a posse lá trás, o técnico Ken Whisenhunt resolveu arriscar a conversão. E se deu mal. Cleveland começou a campanha já no campo de ataque. Deu no que deu.

28 a 22 Titans, jogada do segundo touchdown

Graphic4O conceito foi o mesmo: a maioria dos recebedores se deslocando para o lado direito, Benjamin cortando rapidamente para a esquerda.  Dessa vez não foi play-action, a jogada foi desenhada claramente para o passe, com três alvos do lado direito e dois no esquerdo.

 

Graphic5

 

Repare no apagão do sistema defensivo de Tennessee. Oito jogadores ficaram para defender o passe, mas nenhum marcou Benjamin individualmente, justamente o jogador que havia recebido o touchdown minutos atrás. Falha grave do OLB Kamerion Wimbley (número 5 na figura), que ignorou o WR.

 

Graphic6Cleveland conseguiu o que parecia impossível, uma marcação mano a mano quando o adversário defende o passe com oito atletas. Com os alvos da direita marcados duplamente, Travis Benjamin mais uma vez se desloca para a esquerda, deixando o safety Bernard Pollard na saudade. Ele consegue espaço suficiente para fazer a recepção que deu a vitória para o time visitante.

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