Análise tática: Como Matt Ryan e Julio Jones destruíram a defesa dos Panthers

ANÁLISE TÁTICA

Não é todo dia na NFL que wide receivers conseguem performances monstruosas, especialmente contra uma boa defesa. O grupo do Carolina Panthers foi o sexto melhor em jardas e pontos cedidos em 2015, mas teve uma performance desastrosa contra o Atlanta Falcons no último domingo (2). Pela primeira vez na história da NFL, um quarterback lançou para mais de 500 jardas e um recebedor teve 300 jardas ou mais no mesmo jogo. Matt Ryan e Julio Jones foram os autores da façanha. Como explicar algo tão fora da curva assim? Vamos lá!

Basicamente foi uma soma de alguns fatores. Primeiramente, o talento de Julio Jones é algo fora do comum: uma mortal combinação de velocidade, força e rotas precisas. Já é difícil pará-lo com coberturas duplas e triplas, imagine quando o adversário coloca marcação homem a homem durante boa parte do jogo. Esse talvez seja o principal ponto, os Panthers não deram a atenção que um jogador como Jones merecia. Especialmente pelo fato dos jovens cornerbacks de Carolina não estarem à altura de cobrir o camisa 11 sozinhos. Aliás, pouquíssimos CBs da liga conseguiriam tal façanha. Vale ressaltar também o bom trabalho da linha ofensiva – dando o tempo que Matt Ryan precisava para encontrar Jones desmarcado.

julio-0-0A crítica aqui não vai para o esquema defensivo utilizado, Jones destruiu mesmo quando o posicionamento dos atletas dos Panthers estava perfeito. A questão é respeitar o talento do camisa 11. O esquema dos Falcons é todo baseado em criar situações para que Julio Jones fique em cobertura simples… Carolina deu isso de graça. Apesar de tudo, o principal erro dos Panthers foi não pressionar Jones na linha de scrimmage – o famoso press-coverage. Se você gruda um CB no wide receiver, você precisa pressioná-lo para atrapalhar o máximo possível a execução das rotas. Se deixar o camisa 11 passar sem ser encostado, ele vai te deixar para trás em todas as jogadas. Foi o que aconteceu.

As imagens foram retiradas de um recurso espetacular do NFL Game Pass chamado ‘visão do técnico’, onde se pode assistir a todas as partidas com uma câmera diferente, que permite analisar com muito mais precisão as formações e jogadas feitas. Com o NFL Game Pass você assiste a todos os jogos no seu computador, tablet ou smartphone, na comodidade de onde estiver. Clique aqui, veja mais detalhes do NFL Game Pass e saiba como assinar.

Vejamos as três principais recepções de Julio Jones na partida para entender melhor o que foi explicado acima:

Recepção número 4 – Q1, 1:51, 1st & 20 – avanço de 43 jardas

111

Como dito acima, esse é um caso clássico de como o playcall dos Falcons trabalha para deixar Julio Jones em coberturas simples. Repare como o calouro Daryl Worley fica em uma ilha contra o camisa 11, pois o safety está preocupado com um possível passe pelo meio. Se você coloca um novato para marcar Jones mano a mano você vai  sofrer. Parecia que o jovem ia pressionar Jones na linha de scrimmage, mas nem isso ele fez. O WR estava preparado para se desvencilhar, mas simplesmente saiu em disparada na hora do snap.

222

Repare como Jones está quase duas jardas a frente do cornerback, que jogador espetacular. Como dito acima, o TE realizando uma rota post foi essencial para o sucesso na jogada, pois Kurt Coleman ficou todo o tempo preocupado com a conexão pelo meio. Aqui vai o mérito especial para a brilhante atuação de Marr Ryan: ele passa toda a jogada focado em seu tight end, até que subitamente lança a bola na direção oposta para Julio Jones. Coleman fez o correto tentando ler os olhos do quarterback, mas foi enganado por Matt Ryan.

Recepção número 6 – Q2, 8:40 3rd & 16  – avanço de 53 jardas

333

Jones entrou no segundo quarto com 96 jardas recebidas! Carolina fez algumas mudanças para tentar pará-lo, a principal delas alinhando o CB Bene’ Benwikere como marcador do camisa 11 até o final da partida. Pobre rapaz. Ele teve que lhe dar com Julio sozinho na maioria dos snaps. Nessa jogada específica os Panthers tentam algo até de certo ponto curioso: colocam o LB Thomas Davis alinhado na frente de Jones com o cornerback da cobertura um pouco atrás. Pode parecer inovador, mas foi incrivelmente ineficaz.

444

Para minha surpresa, Davis não fez o press-coverage, apenas cercou o WR nas primeiras jardas. Algo totalmente inútil. Nos cinco primeiros passos Jones já ultrapassou Benwikere, que estava alinhado duas jardas atrás antes do snap. Como se tratava de uma terceira descida para 16, a última coisa que o cornerback poderia permitir era que o recebedor passasse na sua frente após a linha de dez jardas. Ele correu na diagonal para ficar a frente do camisa 11 após as 10 primeiras jardas e limitar um avanço mais longo, mas foi em vão. Repare como o safety está totalmente longe da jogada! O avanço só não resultou em touchdown pois Julio Jones teve que mudar sua rota para o meio e diminuir a velocidade para receber o passe.

Recepção número 12 – Q4, 3:58, 1st & 10-  75 jardas e touchdown

555

Mais uma vez Benwikere possui a ingrata missão de marcar Jones individualmente. Coitado. Outra vez sem ser pressionado, o camisa 11 faz uma finta de corpo sensacional – ou outside-in move – em que começa a se deslocar para linha lateral para instigar o movimento do marcador e já planta o pé esquerdo para arrancar em um cross pelo meio. O CB ficou sem pai nem mãe enquanto Jones corria solto. Repare como a defesa dos Panthers está toda alinhada para brecar uma possível corrida, devido a formação dos Falcons, mas a jogada em questão era o famoso play-action.

6666

Toda a segunda linha da defesa morde a isca e avança para parar a hipotética corrida do running back, deixando um buraco gigantesco no meio do campo! Assim é até covardia. Nesse ponto da jogada Jones já estava bem a frente de Benwikere, livre e solto pelo meio. Repare na raia livre para corrida no lado direito do campo, é justamente onde Julio Jones faz o estrago. Ele recebe a bola com tranquilidade no meio, corta para a outra lateral e um abraço. Julio conta com um bloqueio de seu companheiro nas últimas dez jardas do campo para entrar na end zone, mas mesmo sem o touchdown já seria um avanço e tanto.

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+

Comentários