Análise tática: entenda a jogada criada por Rodgers no lance final da partida

O final do duelo entre Dallas Cowboys e Green Bay Packers, no último domingo, foi simplesmente épico: Aaron Rodgers converteu uma terceira descida para 20 jardas e posicionou seu kicker para o field goal da vitória a três segundos do fim. Como se esse roteiro em si já não fosse fantástico, a famosa conexão de 36 jardas para o TE Jared Cook ganhou ainda mais repercussão após o fim da partida pelo jeito como foi criada… Sabem qual o nome dessa jogada no playbook dos Packers? Ela simplesmente não existe.

Com 12 segundos no relógio, logo após levar um belo de um sack, Rodgers pediu um tempo ainda no chão e foi para o huddle combinar a jogada a ser feita. Ao invés de seguir as orientações da comissão técnica, ele simplesmente montou uma jogada da sua cabeça visando explorar alguma fragilidade na boa defesa dos Cowboys. Bem… o resultado você já sabe qual foi.

O intuito deste post é mostrar um pouco mais em termos práticos toda a genialidade de um tal sujeito da camisa 12 chamado Aaron Charles Rodgers. Na maioria das vezes o foco fica tanto em números brutos que deixamos de lado essa característica que difere os quarterbacks bons dos fora de série. Entenda o que passou pela cabeça de A-Rod:

Foram essas as instruções que Rodgers passou na hora do huddle – utilizando o conceito das formações ‘Four Verticals’. Como precisava de tempo para os recebedores percorrerem as 20 jardas necessárias, ele mudou a proteção da linha ofensiva e a deslocou para a esquerda. Enquanto isso, os três recebedores do lado direito desenvolviam rotas ‘crossing’ cruzando o campo ao mesmo tempo. Na esquerda, Davante Adams avançava em uma rota ‘fly’ em que segue reto rumo à end zone. Veja o porquê disso.

Duas coisas a destacar aqui. A primeira é a sacada que Rodgers teve se deslocando para a esquerda para dar tempo suficiente aos seus recebedores – foram 31,97 jardas percorridas pelo camisa 12 até a hora do lançamento segundo o Next Gem Stats. A segunda é a jogada desenhada pelo coordenador defensivo dos Cowboys: três na linha, apenas um linebacker, uma linha de cinco próximo a marca da primeira descida e os dois safeties bem recuados.  Por que esse espaço relativamente grande entre as linhas? O medo de mais uma Hail Mary do rei das Hail Marys.

Esse foi o cenário que Rodgers tinha segundos antes do lançamento. Repare que três dos quatro alvos, em vermelho, estão muito bem marcados. A única janela possível para lançamento estava no TE Jared Cook – que se deslocava em direção a linha lateral e estava a uma distância considerável de seu marcador. E foi para lá que A-Rod lançou. O espaço só foi possível graças ao recebedor da ponta esquerda, Adams,  que fez a rota ‘fly’ e atraiu a marcação individual do cornerback. Outra sacada do camisa 12. Repare que a dupla de safeties permaneceu imóvel e não subiu para ajudar em nenhum momento.

Uma janela minúscula que apenas os gênios do esporte enxergam. Não foi apenas um passe: ‘vamos ver no que dá’, foi um lançamento espetacular no lugar preciso! Após o jogo, Jared Cook deu todo o mérito ao seu QB explicando que a bola estava no lugar perfeito para ele receber e ao mesmo tempo conseguir manter os pés no campo. Que jogada épica! Claro que números são importantes na vida de um quarterback, mas aquele toque de mágica no momento decisivo pode valer mais do que 50 touchdowns.

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+

Comentários