Análise tática: como Julian Edelman fez uma das maiores recepções da história

Julian Edelman possui 4.540 jardas e 24 touchdowns em sua carreira da NFL, entretanto, o wide receiver entrou para sempre na história do esporte com uma recepção no Super Bowl 51. Batizado como o “Milagre de Houston”, o lance ficará eternamente guardado na memória dos amantes do futebol americano. Com 2:28 no relógio e perdendo por 28 a 20, Edelman fez uma recepção fundamental de 23 jardas e manteve a campanha viva – que mais tarde resultaria no touchdown que empatou a partida e abriu caminho para a maior virada da história dos Super Bowls. Se no contexto da partida o lance já foi importante, espere para ver como ele aconteceu.

O passe de Tom Brady foi espalmado pelo cornerback dos Falcons, Robert Alford, e a bola ficou flutuando no ar. Os milésimos de segundo pareceram uma eternidade para Edelman: o WR nunca tirou os olhos da bola e mergulhou para agarrar um passe que parecia impossível de ser recebido. A bola caprichosamente ficou flutuando no ar – parecia que os deuses do futebol americano tiraram a gravidade de cena para que o camisa 11 fosse capaz de escrever seu nome na eternidade.

A bola oval chegou a ficar no máximo a cinco centímetros do chão, mas não entrou em contato com o gramado até que Edelman já tivesse o controle dela. A clara definição de um jogador ‘clutch’. O wide receiver, em uma mistura gigantesca de sorte e habilidade, agarrou o passe no meio dos três defensores de Atlanta  – o universo parecia estar a favor do New England Patriots.

Maior campeão da história dos Super Bowls e o melhor jogador de todos os tempos, Tom Brady falou sobre o lance: “foi uma das melhores recepções de todos os tempos. Eu ainda não sei como ele agarrou a bola”. Para ajudar a lenda e a todos os nossos leitores – destrinchamos a jogada do “Milagre de Houston”! Confira:

Esse foi o desenho da jogada. Repare como os Falcons, sabendo que seria uma jogada óbvia de passe (sem running backs), se defenderam muito bem: pressionaram com quatro jogadores na linha, marcaram individualmente todos os cinco recebedores dos Patriots e ainda deixaram os dois safeties mais recuados para evitar a jogada mais longa. A chamada dos Pats também foi excelente nesse contexto, pois esse movimento dos alvos se cruzando em rotas in e out é ótimo para que os marcadores se atrapalhem, ou até se trombem, deixando um dos WRs mas livre.

Talvez em condições normais Brady lançasse para os alvos da ponta, mas estava com pouco mais de 2 minutos para o fim e precisava avançar 74 jardas. Embora não fosse a melhor opção, ou a mais inteligente pela marcação de Atlanta, o camisa 12 precisava arriscar – e arriscou. Veja todos os alvos estão bem marcados! Brady até poderia escolher os dois alvos que cortaram para a lateral – o que pararia o relógio – mas mesmo assim seria um avanço relativamente curto. Ele foi para o tudo ou nada.

Primeiramente, veja na imagem da esquerda como Edelman não era nem de longe a melhor opção. Ele estava solitário no meio do campo, marcado pelo melhor cornerback dos Falcons e com o suporte de dois safeties próximos ao lance. Justamente pelos dois jogadores estarem guardando o fundo do campo o camisa 12 deve ter encurtado um pouco o passe – veja como a bola chega um pouquinho atrás do esperado.

Repare na da direita como Alford, que já havia retornado uma interceptação para touchdown, teve as duas mãos na bola para consolidar mais uma pick e dar o Super Bowl inédito aos Falcons. Ao invés de agarrar, ele espalmou e a deixou flutuando por alguns milésimos de segundo. Tempo suficiente para Edelman se recuperar no lance e fazer história.

Reparem que, após o desvio, os dois safeties fecham na jogada e pulam com os braços abertos em direção a bola. Claro que esse é o conceito inicial dos jogadores de secundária – pular em toda e qualquer bola e buscar a interceptação sempre que possível. Mas, nesse caso, o excesso de vontade foi a kriptonita de Ricardo Allen e Keanu Neal. Resumindo: se não houvesse nenhum jogador de Atlanta na jogada o passe seria incompleto. A bola pegou no joelho de Alford, depois no braço de Allen, e ficou aqueles ‘eternos’ milésimos de segundo no ar. Essa terceira foto da primeira coluna é espetacular.

Edelman não somente levou sorte pela bola ter batido em seus oponentes como se apoiou nos jogadores dos Falcons para novamente dar um impulso para frente e ir buscar a pelota. O camisa 11 deu um tapa nela, mas não agarrou em um primeiro momento – ela ficou flutuando como se não houvesse gravidade no NRG Stadium. O WR voltou a colocar as mãos nela, agarrou com força e impediu que tocasse no gramado até a recepção estar completa. Repare que o pé de Alford estava quase no meio dos seus braços!

Já revi o lance milhares de vezes e ainda não acredito que essa recepção foi completada. Mas foi. Jogada icônica do melhor Super Bowl de todos os tempos – privilegiados os que presenciaram isso ao vivo e viram a história sendo escrita. Épico.

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