Análise tática: O renascimento de Matt Ryan sob o comando de Kyle Shanahan

Falar de Matt Ryan em 2016 é muito fácil: o jogador teve um desempenho fantástico ao longo da última temporada, é o principal candidato ao prêmio de MVP e estará em campo para a disputa do seu primeiro Super Bowl da carreira. O camisa 2 foi a peça fundamental em um ataque que marcou história – o oitavo melhor de todos os tempos em pontos anotados na temporada regular (540). Apesar do domínio em campo, a impressão que grande parte das pessoas tem é de que Ryan surgiu ‘do nada’ – o que não é nem um pouco verdade.

Uma das intenções desse post é acabar com esse conceito errado – Matt Ryan sempre foi um bom quarterback na NFL. O camisa 2 é muito inteligente na leitura das defesas adversárias e castiga com passes precisos. Mesmo sem ter um canhão no braço, ele possui recursos para todo tipo de passe que um jogo de futebol americano demanda. Para os que não se lembram, Ryan computou 11 vitórias e levou os Falcons aos playoffs já em sua temporada de calouro em 2008. De 2010 a 2014 ele teve um rating de pelo menos 89,6 e em 2012 teve a maior porcentagem de passes completos da NFL além de 32 touchdowns. Números de respeito para qualquer quarterback.

Apesar do desempenho, Ryan nunca foi colocado na primeira prateleira dos quarterbacks por não ter brilhado em jogos grandes – conceito que veio por terra em 2016. “Matty Ice” dominou do começo ao fim: foram 4.944 jardas, 38 TDs e sete interceptações na temporada regular e uma média assustadora de 40 pontos nos dois jogos de playoffs. Não é a toa que o camisa 2 é o principal candidato ao prêmio de MVP.

Afinal de contas, o que mudou de um ano pra cá? O esquema de jogo espetacular criado por Kyle Shanahan. Uma das máximas da NFL diz que um coordenador ofensivo tem o poder de transformar um bom quarterback em espetacular – é exatamente o que aconteceu no Atlanta Falcons.

Entenda a brilhante mente de Kyle Shanahan

Quando Shanahan chegou para trabalhar no começo do ano as armas já estavam lá: Julio Jones é possivelmente o melhor WR da liga, a dupla de RBs Devonta Freeman e Tevin Coleman é mortal tanto correndo como recebendo passes, a velocidade de Taylor Gabriel e Aldrick Robinson traz uma nova dimensão ao ataque e Mohamed Sanu e Justin Hardy são excelentes na execução das rotas. Faltava uma mente para transformar essas peças em uma máquina de pontos.

Qual a magia dele? Simples… Shanahan cria jogadas extremamente inteligentes com as várias peças que possui com o intuito de explorar as fraquezas da defesa adversária e criar janelas de lançamento para seu quarterback. Já teve a impressão ao assistir a um jogo dos Falcons que sempre tem alguém livre? É exatamente isso.

Veja como exemplo essa jogada dos playoffs contra os Packers. Shanahan coloca o veloz Taylor Gabriel em movimento antes do snap começar – o que por si só já atrai  a atenção dos linebackers. Matt Ryan executa o play-action com o RB Tevin Coleman – repare a gama de possibilidade que o QB possui para lançar após Gabriel cortar para trás.

São duas das armas mais letais em movimento mais Julio Jones em uma rota deep curl – o que atrai uma cobertura dupla. Quando parece que todos estão marcados, o fullback Patrick Dimarco sai dos bloqueios e abre no flat completamente sozinho! Essa é a magia de Shanahan.

Além de abrir janelas improváveis, o coordenador ao mesmo tempo adapta o seu playbook para que as jogadas desenhadas explorem as fraquezas os adversários – ele é um monstro em criar os famosos ‘mismatchs’. Tomando como exemplo agora o duelo contra o Seattle Seahawks do Divisional Round, Shanahan foi muito bem explorando os elos fracos da desfalcada Legion of Boom – Ryan lançava bem longe de Richard Sherman e Kam Chancellor.

 

Veja na jogada acima como o coordenador ofensivo ao mesmo tempo criou uma janela para Tevin Coleman e arquitetou a jogada no lado do fraco DeShawn Shead. O conceito de colocar dois recebedores na mesma zona contra uma defesa ‘cover 3’ é muito inteligente! Repare na bela combinação de rotas! Taylor Gabriel faz um skinny post e arrasta Shead com ele para o meio do campo, ao mesmo tempo o TE Austin Hooper sai do slot em uma rota flat atraindo o linebacker para a lateral. Eis que surge Tevin Coleman em uma rota corner e aproveita o espaço para anotar o touchdown de 14 jardas. Fantástico.

Claro que não basta ter bons conceitos e boas armas sem alguém capacitado para fazer tudo rodar – Matt Ryan entrou em uma sintonia incrível com seu coordenador e está executando tudo com muita eficiência. Veja por exemplo nesse jogo contra os Panthers na semana 16 como ele encaixou a bola na janela minúscula que tinha e colocou uma bola perfeita para seu recebedor.

Matt Ryan é um quarterback brilhante quando atua no seu próprio ritmo – sabe como ninguém explorar as fraquezas das defesas adversárias e castigar com passes precisos. O camisa 2 possui uma capacidade impressionante de tomar as decisões corretas na hora dos lançamentos – o que Kyle Shanahan fez foi maximizar isso dando a ele várias e várias boas alternativas para encontrar o alvo correto.

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