O que está acontecendo com o Kansas City Chiefs?

Chega a ser assustador como as coisas podem mudar na NFL em pouco mais de um mês. Há algumas semanas falávamos do Kansas City Chiefs como candidato a Super Bowl: campanha invicta de 5-0, Alex Smith entrava na discussão do prêmio de MVP e Kareem Hunt estava voando baixo. Agora o papo é bem diferente! A equipe perdeu cinco das últimas seis partidas e segue em queda livre na temporada – tendo o título da AFC West totalmente ameaçado por Chargers e Raiders. Afinal, o que vem acontecendo com essa equipe?

Claro que, quando uma despencada assim acontece, inúmeros fatores devem ser colocados na conta. Entretanto, o mais latente em meio ao caos que vive os Chiefs é a queda de produção gigantesca do ataque. Nos primeiros cinco jogos, mesmo com algumas falhas defensivas, o time seguiu invicto graças a uma média de 30 pontos anotados por jogo! Da derrota para os Steelers, na Semana 6, para cá, a franquia registra apenas 18 pontos de média nos últimos seis jogos – sendo 9,5 nas duas últimas semanas.

Normalmente você vê quedas bruscas nos números quando a equipe sofre com lesões de jogadores extraordinários – vide o caso dos Packers sem Aaron Rodgers e Giants sem Odell Beckham Jr, por exemplo. Agora, o mais curioso é que não houve nenhuma lesão gigantesca que interfira diretamente no resultado. O que aconteceu mesmo foi que as equipes entenderam como jogar contra os Chiefs – e eles ainda não descobriram como combater isso.

O ataque dos Chiefs ficou manjado

Essa é a realidade dos fatos – para desespero do torcedor de Kansas City. Não é coincidência que a queda brusca venha logo depois do duelo contra os Steelers, no dia 15 de outubro. Pittsburgh descobriu um jeito de anular o ataque dos Chiefs – e as outras equipes seguintes apenas seguiram a mesma estratégia. Ao invés de atacar o QB Alex Smith a todo momento, os Steelers adotaram uma postura mais passiva com uma marcação de zona povoando o primeiro terço do campo. Parece simples, mas funcionou lindamente.

Com mais gente marcando por zona, acabaram os espaços gigantescos para Tyreek Hill e Kareem Hunt destruírem naquelas jogadas explosivas desenhadas por Andy Reid – misdirections e outras graçolas. Assim, a força do ataque de Kansas City foi para o espaço. As derrotas seguiram para times que utilizam bastante o famoso Cover 2 nas semanas seguintes. Curiosamente, os Bills quase não utilizaram essa formação ao longo do ano, mas executaram com maestria na vitória do último final de semana.

“Não chegaremos a lugar algum”

Após a derrota contra os Giants há duas semanas, o TE Travis Kelce disse em entrevista coletiva: “Os adversários estão jogando em Cover 2. Enquanto não arranjarmos um jeito de combater isso, nós vamos sofrer”. Cover 2? Sério? Um leigo no assunto pode ler esse texto e achar que é algo revolucionário, mas na realidade é um dos conceitos mais básicos do futebol americano. O que surpreende aqui é o fato da comissão técnica identificar o problema e não conseguir dar uma resposta! Isso sim é assustador.

Todo o sistema defensivo na NFL possui pontos fortes e fracos, mas Alex Smith e companhia não mostram capacidade para executar o que deve ser feito. Esse esquema abre um pouco mais de espaço para o jogo corrido e para as jogadas de mais profundidade, mas Kansas City não vem conseguindo desenvolver isso nas partidas.

A boa notícia é que o problema já foi identificado, mas a má é que as semanas estão passando e o time não mostra uma solução. O time tem talento e técnico para achar o antídoto a esse veneno, mas, se demorar muito, pode ser que seja tarde demais. Não se surpreenda com os Chargers papando a AFC West em dezembro.

Compartilhe!Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+

Comentários