Análise tática: Entenda a ‘Philly Special’ – trick play marcante dos Eagles no SB52

De todas as jogadas surpreendentes de um Super Bowl 52 simplesmente fantástico, talvez a mais marcante tenha acontecido com 38 segundos para o fim da primeira etapa. Vencendo por 15 a 12, o Philadelphia Eagles se viu em uma situação delicada a uma jardinha da end zone e em uma quarta descida. Ao invés de aceitar os três pontos do field goal, o técnico Doug Pederson mostrou o porquê de ser um dos mais agressivos da NFL chamando uma jogada que mudaria os rumos da final e o destino de toda a cidade da Filadélfia. Certamente você sabe de qual jogada eu estou falando!

A jogada que entrou para sempre na história dos Eagles e da NFL foi apelidada pela comissão técnica das Águias de ‘Philly Special’ e tinha como objetivo uma recepção para touchdown do quarterback Nick Foles! Falando assim parece maluquice, mas ela foi tão bem feita e executada que ficou praticamente impossível para a defesa dos Patriots ler o que acontecia até a bola chegar mansa nas mãos do camisa 9. O time famoso pelas ‘trick plays’ foi morto com o próprio veneno. Entenda a mecânica de uma das chamadas mais marcantes da história dos Super Bowls!

Philly Special – o conceito

Antes de entrar em uma análise mais detalhada, veja o vídeo da jogada completa. Nick Foles começa a fazer a contagem pré-snap atrás da linha, para de falar e se desloca levemente para a direita – fingindo que está chamando um ‘audible’ e mudando a jogada. Uma atuação digna de Oscar! De repente, o snap é feito diretamente para o RB Corey Clement – que está em shotgun. Ele começa a correr para esquerda, mas logo para e faz o pitch para o TE Trey Burton que se desloca na direção oposta. O camisa 88 para, planta os pés e faz um bom passe Foles – que corre completamente livre no canto direito da enz zone. Touchdown que certamente deu aos Eagles o tão sonhado Super Bowl! Agora veja o passo a passo e entenda o porquê de ter funcionado tão bem.

  • Uma formação completamente maluca

Nada daria certo se Nick Foles não ‘vendesse’ tão bem a jogada. Após começar o snap, ele vai para o lado direito da linha e começa a dar sinais de que mudaria a jogada, mas estaciona atrás da linha – como se fosse um ‘H-back’. Certamente esse elemento surpresa ajudou demais a pegar a defesa dos Pats despreparada, afinal, meio segundo faz total diferença nesses momentos.

  • A movimentação da linha foi fundamental

Todo o desenho da jogada dá a entender que se tratava de um snap direto para Corey Clement correr pelo lado esquerdo – o que já seria uma ótima ideia por si só. Essa foi a grande sacada: foi uma trick play dentro de outra trick play! O que fez diferença na jogada foi a movimentação de TODA a linha ofensiva dos Eagles para a esquerda para ‘vender’ a corrida. Repare como toda a defesa dos Pats morde a isca e se desloca em direção a Clement – deixando o lado direito totalmente livre. O principal jogador a ser enganado caiu perfeitamente: o OLB Eric Lee. O caminho para Foles estava aberto.

  • A jogada funcionaria mesmo se Foles estivesse marcado

Repare como, no fim das contas, eram três opções de passe para Burton com apenas um jogador dos Patriots na cobertura – o CB Stephon Gilmore. O fato de Jeffery fazer uma rota ‘comeback’ e levar o camisa 24 junto para o fundo da end zone definitivamente criou uma avenida para Foles receber o passe e se consagrar. Agora, repare que, mesmo que o cornerback tivesse um lampejo e fosse em direção a Foles, sobrariam Jeffery no fundo e Torey Smith desfilando completamente livre pelo meio. Opções não faltariam para o tight end completar o passe sem a ajuda do camisa 9.

Comentários