Prévia da temporada 2018: como será o ano do Seattle Seahawks

RUSSELL WILSON TEM ANO DE MVP, MAS LINHA OFENSIVA FRACA E LESÕES PARAM SEAHAWKS

O quarterback do Seattle Seahawks foi um dos melhores jogadores, em desempenho individual, na temporada passada. Contudo, as inúmeras lesões sofridas por jogadores fundamentais e a apresentação fraca da linha ofensiva que o protegia (ou pelo menos tentava), limitaram as pretensões da franquia no ano.

Kam Chancellor, Cliff Avril, Earl Thomas, Richard Sherman, peças chave da forte defesa característica de Seattle, conviveram com problemas físicos e não conseguiram ter uma temporada constante. Eddie Lacy não se provou e o jogo terrestre foi dominado novamente por Russell Wilson. Os recebedores em geral foram bem, destaque para o ano consistente de Paul Richardson. Porém, uma linha ofensiva inoperante não foi capaz de dar tranquilidade para Wilson trabalhar com seus alvos e a franquia ficou fora dos playoffs pela primeira após cinco anos.

CONSOLIDADO ENTRE OS MELHORES, RUSSELL WILSON PRECISA DE AJUDA

Na NFL, não basta apenas você ter um quaterback fora de série. É preciso oferecer alvos consistentes a ele, dar peças que possam fazer o jogo terrestre funcionar para aliviar a pressão do QB e, principalmente, construir uma linha ofensiva que deixe o cérebro da equipe trabalhar. Este é o grande dilema vivido por Russell Wilson e o Seattle Seahawks.

Em 2017, o camisa 3 beirou as 4000 jardas aéreas (3983), lançou para 34 touchdowns, correu para outros três e sofreu 11 interceptações. Com um rating de 95,4, Wilson teve mais um ótimo ano à frente do ataque de Seattle e se reafirmou como um dos quarterbacks de elite da Liga. Dono de um ótimo porte atlético e de uma capacidade de improvisação absurda, Russell Wilson é um verdadeiro tormento para as defesas adversárias.

A questão para esta temporada é praticamente a mesma de um ano atrás: linha ofensiva. No comando da unidade, Tom Cable deu lugar a Mike Solari, ex-New York Giants – um dos piores times no quesito em 2017, ao lado dos Seahawks. Contratado no meio da temporada passada, o veterano Duane Brown ganhou um novo contrato e a aposta é de que sua experiência faça a diferença. Campeão do SB XLVIII, em 2013/14, o guard J.R Sweezy está volta após ser dispensado pelo Tampa Bay Buccaneers.

A verdade é que a pré-temporada não foi das mais animadoras. Nas quatro derrotas sofridas, a deficiência na proteção do quarterback seguiu sendo uma característica do ataque.

Esta deficiência no elenco dos Seahawks surte efeito em seu jogo terrestre. Desde Marshawn Lynch, o time ainda não conseguiu encontrar um jogador que tome conta do backfield. O nome da vez agora é Rashaad Penny, escolha de primeira rodada do último draft. O jovem de 22 anos chegou a sofrer uma lesão durante a pré-temporada, mas provavelmente estará à disposição para a estreia contra o Denver Broncos. O prospecto deve dividir espaço com Chris Carson, que estará em seu segundo ano na NFL e já mostrou ter um bom potencial.

O corpo de recebedores perdeu nomes importantes, como Jimmy Graham e Paul Richardson, mas ganhou um também de bastante relevância: Brandon Marshall. Depois de chegar ao New York Giants na temporada passada, o camisa 15 acabou sofrendo uma lesão no início do ano e não conseguiu retornar. Agora, nos Seahawks, Marshall aparece como uma alternativa para tirar o foco do alvo principal de Russell Wilson, Doug Baldwin. Tyler Lockett renovou seu contrato e seguirá sendo uma boa opção tanto para o ataque, quanto para o time de especialistas.

FIM DA “LEGION OF BOOM”, DILEMA COM EARL THOMAS E RECONSTRUÇÃO

Uma das melhores defesas da história da NFL enfim se desmantelou. O front seven perdeu Cliff Avril, que foi dispensado pela franquia após sofrer uma séria lesão no pescoço e Michael Bennett, trocado para o campeão Eagles após o fim da última temporada. Na secundária, a famosa “Legion Of Boom” terminou sua caminhada na Liga.

Também com uma contusão complicada na região do pescoço, Kam Chancellor optou por se aposentar durante esta intertemporada. Ídolo dos Seahawks, pelo menos até então, Richard Sherman viu sua relação com a cúpula da franquia se deteriorar e ele acabou sendo dispensado em março deste ano – no dia seguinte, o cornerback acertou sua ida para o rival San Francisco 49ers.

A terceira peça restante da unidade, é Earl Thomas, que segue no elenco dos Seahawks, mas não se sabe até quando. O free safety, que conviveu com lesões nos últimos anos, foi a público no último mês e deu um recado direto à franquia: “Ou me dão um bom contrato, ou me troquem”. Fontes afirmam que os Seahawks não pretendem se desfazer do atleta, mas não se sabe como o time irá lidar com este dilema, já que também não parece estar inclinado a estender o vínculo com o jogador por muito tempo.

A despeito das perdas sofridas, Seattle ainda conta com os fortes linebackers K.J. Wright e Bobby Wagner. Os dois ganharam a companhia de um dos maiores personagens do último draft, Shaquem Griffin. O atleta tem a mão esquerda amputada, mas a sua boa combinação de velocidade com habilidade lhe garantiu um lugar na NFL e o vem ajudando a conquistar espaço no elenco dos Seahawks.

O irmão gêmeo de Shaquem, o cornerback Shaquill Griffin vai para o seu segundo ano na Liga. Depois de muitas mudanças na secundária, o jovem já mostrou potencial e surge como um expoente nesta reconstrução da unidade. Uma coisa é certa: Seattle precisa se acertar com Earl Thomas. A manutenção do safety é fundamental para a cobertura do time seguir forte e seria de grande valia para o desenvolvimento de jovens jogadores, como é o caso dos irmãos Griffin.

FAVORITISMO EM 2018

Apesar da incógnita da linha ofensiva, o Seattle Seahawks segue como uma opção sólida de investimento. Segundo dados do Oddsshark.com, a chance do time ganhar o Super Bowl é de 34 para um! Seattle é o décimo favorito para vencer a NFC, com 19 para um, e o terceiro favorito para conquistar a NFC West: R$5,50 para cada real investido.

VAI ATÉ ONDE?

A medida que os Seahawks perderam força, seus principais rivais cresceram de patamar. Dentro de sua divisão, a NFC West, Seattle terá dificuldade para enfrentar o Los Angeles Rams (um dos favoritos ao título do SB LIII) e um novo San Francisco 49ers, com Kyle Shanahan e Jimmy Garoppolo. Mesmo o Arizona Cardinals, que passa por uma reconstrução na posição de quarterback, deve dar trabalho aos Seahawks.

Ainda que fora da sua divisão, a tabela de Seattle é bem complicada, já que a equipe terá pela frente times da NFC North e da AFC West, como Packers, Vikings, Chargers, Chiefs, entre outros.

Em meio a uma reconstrução geral, não tem como fugir da redundância e apontar Russell Wilson como o principal ponto em que a franquia precisa se apoiar. Mesmo com as perdas na defesa, é possível arrumar a casa e montar uma unidade sólida. Contudo, o ataque precisa ajudar o quarterback. Além de sinergia com os alvos e jogo terrestre, a linha ofensiva precisa trabalhar minimamente para que Russell Wilson possa levar o Seattle Seahawks pelo menos a uma vaga no Wild Card da NFC.

PREVISÃO: 3º DA NFC WEST

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