A ofensiva AFC contra a defensiva NFC no Super Bowl

Independente de quais serão os times presentes no Super Bowl XLVIII, já está definido um duelo entre um dos três melhores ataques contra uma das três melhores defesas da NFL no gelado MetLife Stadium. A final da AFC entre Denver Broncos e New England Patriots promete ser um embate de muitos pontos, visto que os ataques somados computaram impressionantes 1050 pontos e 115 touchdowns em 16 partidas. No mesmo período, os times que decidem a NFC, San Francisco 49ers e Seattle Seahawks, cederam apenas 503 pontos e 53 TDs. O dia 2 de fevereiro ainda está distante, mas a expectativa para a final já está gigantesca.


O NFL Brasil analisa agora com mais profundidade esse dois ataques fora de série e essas duas defesas fortíssimas:

Ataque do Denver Broncos
Possivelmente o melhor grupo ofensivo da história da liga.  O ataque dos Broncos fechou 2013 quebrando quase todos os recordes que existiam para uma temporada: Pontos (606), touchdowns (76), first downs (293) e pontos no segundo tempo (318). Além de igualar a marca de três jogos com 50 ou mais pontos, intacta desde 1969, o Denver desse ano é o único time da história a ter cinco jogadores com pelo menos 10 touchdowns: Demaryius Thomas (14), Eric Decker (11), Wes Welker (10), Julius Thomas (12) e Knowshon Moreno (13). Nunca um time conseguiu mais de três atletas com dez ou mais TDs.

Muito graças a um dos melhores, se não o melhor, quarterback de todos os tempos, é chover no molhado dizer como Peyton Manning é espetacular. Em 2013 ele quebrou a marca de touchdowns lançados (55) e jardas aéreas (5,477) em uma única temporada. Sozinho, o QB conseguiu mais jardas do que 18 franquias da NFL, cinco delas foram aos playoffs. O que muitas vezes passa despercebido é o trabalho fantástico da linha ofensiva dos Broncos, Manning foi o quarterback com menos sacks sofridos (20) e o segundo que menos foi encostado (51). O right guard Luis Velasquez é o primeiro jogador desde 2008 a estar em campo em todos os snaps ofensivos do time e não ceder um sack sequer. 

Ataque do New England Patriots
Brady no comando do ataque dos Patriots (Zimbio)

O cenário no começo da temporada não era dos mais animadores em Foxborough, Tom Brady se viu sem os alvos excelentes do ano anterior (Wes Welker, Aaron Hernandez,  Rob Gronkowski) e cercado de alvos jovens inexperientes. Aos poucos, Brady foi dando ritmo ao ataque, coisa que somente um fora de série pode fazer. Na famosa expressão “tirando leite de pedra”, ele passou para mais de 4 mil jardas e 25 touchdowns. A média de idade dos oito jogadores que receberam pelo menos um passe para TD de Brady é de 22,25 anos. 


Apesar da superação, não seria possível New England fechar 2013 com o terceiro melhor ataque em pontos marcados (444) sem o auxílio do consistente jogo terrestre. O corpo de running backs computou 2065 jardas e 19 touchdowns na temporada regular, com Stevan Ridley e LeGarrette Blount passando das 700 jardas pelo chão. O equilíbrio na chamada das jogadas feito pelo técnico Bill Belichick e o coordenador ofensivo Josh McDaniels também chama atenção: dos 1098 snaps de ataque, 57% foram passes e 43% corridas. Números que comprovam a imprevisibilidade desse ataque.

Defesa do Seattle Seahawks
O grupo que já era bom na temporada passada ficou ainda melhor este ano. Mesmo após perder o coordenador defensivo Gus Bradley, que assumiu o cargo de técnico principal do Jacksonville Jaguars, a defesa do Seattle Seahawks foi a melhor da NFL em quase todos os quesitos em 2013: cedeu menos jardas (4,378) e pontos (231), foi a melhor contra o passe, a que mais conseguiu interceptações (28), a que menos levou TDs terrestres (4) e a que mais conseguiu turnovers (39).

Qual o segredo de tanto sucesso? Muita disciplina tática, aliada a jogadores talentosos e uma dose de criatividade. O time abre os jogos na marcação homem a homem, aproveitando o talento de seus jogadores excepcionais como Richard Sherman e Earl Thomas. Os atletas são tão bons e rápidos que o técnico Pete Carroll abre mão de uma “ajuda” do safety na secundária, posicionando Cam Chancellor alinhado com tight ends e slot receivers, ganhando praticamente um homem a mais em campo. Depois que constrói a vantagem, o time varia a cobertura com criativas e complexas marcações por zona. Outra marca registrada desse grupo é a forte pressão exercida nos wide receivers na linha de scrimmage.

Defesa do San Francisco 49ers

Defesa dos 49ers mostra sua força (SFGate)

No início da temporada passada, não havia dúvida de que a defesa de San Francisco era a melhor da NFL. Com o passar dos jogos, os números foram caindo, o grupo chegou nos playoffs em atuações muito abaixo do esperado, muito por conta da lesão no tríceps do DE Justin Smith. Apenas duas peças muraram para este ano (Gleen Dorsey de NT e o calouro Eric Reid deFS), mesmo assim a defesa não começou bem 2013, cedendo uma média de 28 pontos nos primeiros três jogos. Ao contrário do ano passado, o grupo comandado pelo coordenador Vic Fangio vem crescendo de produção na reta final, os Niners levaram uma média de 15,5 pontos na atual sequência de oito vitórias seguidas.

Muitos atribuem a boa fase a melhora do ataque, mas vale ressaltar que a defesa vem jogando muito melhor, principalmente defendendo o passe (4º melhor na segunda metade da temporada). Outro fator que contribui é a velocidade com que os Niners retiram o ataque adversário de campo. O time é o terceiro melhor da NFL no aproveitamento de terceiras descidas, graças ao mais completo quarteto de linebackers da liga: Aldon Smith e Ahmad Brooks nas pontas, com Navorro Bowman e Patrick Willis pelo meio. Na atual fase que esse grupo vive, tanto Patriots como Broncos terão sérias dificuldades para ultrapassar essa defesa em um eventual Super Bowl.

Jornalista de Jundiaí e apaixonado pela NFL,  
Matheus Filippi é editor do @NFLBrasil.
   

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