Como os Steelers anotaram três touchdowns em 73 segundos

ANÁLISE TÁTICA

Do inferno ao céu em 73 segundos, esse foi o Pittsburgh Steelers no último Monday Night Football (20). O time perdia por 13 pontos em casa na metade do segundo quarto, foi para o intervalo vencendo por 11. Foram três touchdowns dentro dos dois minutos finais do primeiro tempo, recorde da liga desde o famoso jogo entre Jets e Patriots de 2012, duelo do fatídico “buttfumble” de Mark Sanchez.  Como os Steelers conseguiram tal feito? A análise tática dessa semana responde essa pergunta.

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steelers-tdBasicamente, uma mistura de talento, inovação na chamada  das jogadas, apagão da defesa adversária e uma pitada de sorte. Pittsburgh iniciou a reação com um drive relâmpago de 19 segundos e duas jogadas, terminado em touchdown. Após um bom passe de 26 jardas para o RB LeVeon Bell,  Ben Roethlisberger foi rapidamente para a linha de scrimmage. Veja o que ele fez. Uma jogada de puro talento, sem dúvida alguma, daquelas que pouquíssimos QBs da liga fazem. Big Ben escapou da pressão com maestria, acertou um passe maravilhoso para o calouro Martavis Bryant no fundo a end zone.

Graphic1Belíssima jogada, mas a marcação dos Texans facilitou a vida do quarterback. O time havia acabado de levar uma jogada longa, mandou um blitz com todos os linebackers para cima de Roethlisberger. Nesses casos, se você não chega ao quarterback adversário, a chance de levar o TD é grande. Os três recebedores ficaram na marcação individual, sonho de qualquer QB. Apenas o safety Kendrick Lewis na cobertura, do lado esquerdo. O melhor matchup era de Bryant com o também calouro CB Andre Hal, foi o explorado por Big Ben.  Do lado direito, longe do alcance do safety.

Graphic2A bola voltou para os Texans, mas não por muito tempo. O RB Arian Foster, brilhante até então, sofreu um fumble na segunda jogada da campanha. Foi o segundo dele na temporada, 15º da carreira. Repare que realmente a bola estava solta antes do running back fazer contato com o chão. Pittsburgh recupera a posse na boca a três jardas end zone adversária.

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Mérito total da comissão técnica dos Steelers, principalmente do coordenador ofensivo Todd Haley. Uma das jogadas mais fantásticas já feitas, tanto na inovação como na execução.  Pittsburgh ameaçou um “toss sweep”, uma jogada clássica quando se está próximo da end zone adversária. Se trata do WR em movimento antes do snap, ele recebe a bola do QB em um passe para trás e continua em direção ao lado oposto.

segundo tdAntonio Brown recebeu a bola no toss, mas ao invés de completar o movimento, ele para e faz o reverse para a esquerda. Um fake sweep! Mesmo com JJ Watt na cola, ele consegue uma raia livre para acertar um maravilhoso passe para Lance Moore, que vinha em uma rota crossing dentro da end zone. Lançou a bola com a mão esquerda! A ameaça de sweep deslocou a defesa dos Texans para a direita, dando certa liberdade para Moore receber a bola.

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Mais uma vez Houston tem a bola, mas entrega a posse rapidamente. Aqui vemos além de tudo uma pitada de sorte, uma jogada até de certo ponto engraçada. Menos para o torcedor dor Texans, claro. Brett Keisel desviou o passe de Ryan Fitzpatrick, a bola bateu no capacete do LB Lawrence Timmons e voltou nas mãos de Keisel, que retornou por 16 jardas.

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Pittburgh teve a bola a oito jardas da end zone, adversária, precisou de duas jogadas para ampliar a vantagem. A primeira foi um passe curto para Antonio Brown, com um ganho de seis jardas. Com poucos segundos no relógio, os Steelers foram no “no huddle”, ou seja, sem a conferência antes da jogada. Repare na indecisão na defesa dos Texans, atordoada com o que acontecia, perdida na marcação.

Graphic5LeVeon Bell saiu da posição de running back para alinhar como wide receiver do lado direito, mas o seu marcador, o SS DJ Swearinger, não o acompanhou logo de cara. Sem marcação, Bell ficou livre o suficiente para receber o passe no canto superior da end zone, veja como Swearinger ainda está chegando quando o RB já está com a bola em mãos.  Apagão dos Texans, competência dos Steelers, três touchdowns em 73 segundos. Por essas e outras que o futebol americano é simplesmente sensacional.

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