Foi ou não foi recepção de Dez Bryant? Veja o que diz a regra

Bryant indignado com a reversão da jogada

Bryant indignado com a reversão da jogada

Os duelos divisionais já fazem parte do passado, mas a discussão sobre o lance mais polêmico dos quatro jogos insiste em aparecer. Afinal de contas, Dez Bryant fez ou não a recepção que poderia ter dado ao Dallas Cowboys a vaga na final da NFC? Vamos aos fatos.

Primeiro um pouco de contexto, se você estava em Marte no último final de semana e não soube do ocorrido. A equipe do Dallas Cowboys perdia por 26 a 21 no gelado Lambeau field, com pouco mais de quatro minutos para o fim do jogo. O time seguia avançando em campo, até se ver em uma quarta descida para duas jardas, na linha de 32 do campo de ataque. Ao invés de uma corrida ou passe curto, Romo arriscou uma bomba para Dez Bryant, com cobertura simples, do lado esquerdo do campo.

bryant 2Em um movimento muito atlético, o camisa 88 agarrou a bola e caiu no chão, uma fantástica recepção! Opa, vamos com calma. O técnico Mike McCarty desafiou a jogada, alegando passe incompleto. Os árbitros revisaram o lance e voltaram atrás, para desespero de Bryant e de toda nação torcedora dos Cowboys mundo afora. Cirúrgico, Aaron Rodgers recebeu a bola de volta e administrou a vitória dos Packers. Olhando o contexto, não foi por essa jogada específica que Dallas perdeu a classificação.

recepção zoomEnfim, vamos a polêmica.  O camisa 88 recebeu a bola no ar, colocou três vezes o pé no chão, tentou levar a bola próxima a linha de goal e caiu no gramado com ela, colocando o cotovelo e o joelho no chão antes da bola tocar o solo. No momento que a bola atingiu o gramado, escapou do controle de Bryant, mas foi recuperada logo em seguida dentro da end zone. Recepção, correto? Não de acordo com a regra da NFL. O árbitro que reverteu a chamada, Gene Steratore,  explicou porque tomou a decisão.

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“Mesmo com a posse da bola, o recebedor precisa manter o controle em todo o processo de recepção”, disse Steratore. “No nosso julgamento, ele manteve o controle da bola, mas continuou a cair sem realizar um ‘ato comum ao jogo’ (football move). Quando ele cai, a bola bate no chão e escapa de seu controle, o que torna o passe incompleto. O árbitro ainda explica que o fato do cotovelo bater no chão antes da bola é irrelevante: “Joelhos e cotovelos são irrelevantes quando o jogador ainda está no processo de recepção”.

A explicação fez com que déssemos uma passadinha no livro de regras da NFL. Eis o que encontramos:

Regra 8, Seção 1, Artigo 3 – Passe completo ou incompleto: Uma recepção é considerada completa se o jogador, dentro do campo:

a) Assegurar o controle da bola nas mãos ou braços antes que a bola atinja o chão, e
b) tocar o gramado dentro do campo com os dois pés ou outra parte do campo fora as mãos, e
c) manter o controle tempo suficiente, depois que A) e B) tiverem sido feitas, para realizar um ato comum ao jogo (football move), tal como realizar um passe para trás, correr com a bola, desviar de um tackle, etc…

 Adendo item 1 – “indo para o chão”: Se um jogador vai ao chão no ato de receber um passe (com ou sem contato do oponente), ele precisa manter o controle da bola ao longo de todo o processo de encontro com o chão. (…) Se ele perder o controle, e a bola bater no chão antes que ele recupere, o passe é incompleto. Se ele recupera o controle antes da bola bater no chão, o passe é completo.

gif 3Resumindo a ópera: os árbitros consideraram que Bryant não fez o bendito “football move” antes de ir ao chão, portanto, ainda estava no processo de receber a bola quando esta tocou no chão, portanto, passe incompleto. O vice presidente de arbitragem da NFL, Dean Blandino, admitiu que o movimento de Bryant direcionando a bola para end zone foi um quase “football move”.

Aqui mora o problema. Quando você abre para interpretação o que é ou não é um movimento do futebol americano, as opiniões tendem a divergir. Analisando friamente o lance e a regra, os árbitros acertaram a chamada. Mas isso não quer dizer que a regra está correta. Apesar do acerto, é um absurdo pensar que que um parágrafo mal formulado praticamente acabou com a temporada de um time.  Não é de hoje que essa regra tem causado polêmica, vide uma recepção para TD de Calvin Johnson, dos Lions, anulada pelo mesmo árbitro em 2010.

O próprio Blandino afirmou que respeita quem, mesmo entendendo o ocorrido, diz que foi recepção, e que vai revisar essa parte do livro na reunião anual do comitê dos árbitros. Quando se chega a esse ponto, é mais do que claro que a regra é falha. A polêmica envolve em acabar ou não com a obrigatoriedade do “football move” para caracterizar controle. Sem essa parte da regra, certamente os fumbles aumentariam, nas inúmeras jogadas que wide receivers levam pancadas logo após receber a bola no meio do campo.  Veremos se depois de mais uma bola fora, a NFL revisa de vez essa maldita regra.

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