Marshawn Lynch: o poder do running back dos Seahawks

beast8 de Janeiro de 2011, partida de Wild Card entre Seattle Seahawks e New Orleans Saints no CenturyLink Field.  Com 3:38 para o fim do duelo, Seattle vencia por 34 a 30, estava com a posse de bola e tentava colocar um ponto final na partida. Lá foi Marshawn Lynch para uma corrida curta pelo meio, para gastar o relógio. Na prática foi bem mais do que isso.  Ele saiu do primeiro defensor, do segundo e de outros dois tentaram agarrá-lo pelas pernas. Um outro se pendurou nele, foi arrastado algumas jardas e também deixado para trás, desmoralizado. Tracy Porter, histórico cornerback dos Saints, resolveu enfrentar a besta em pé, mas foi jogado três jardas longe. Mais uma tentativa inútil de pará-lo com um puxão no tornozelo. Lynch ao todo correu 67 jardas, anotou o touchdown e entrou para a história dos playoffs.

O já famoso ‘beast mode’ entrava definitivamente na galeria de lances mais espetaculares da NFL.  Devido ao apelido do running back, o lance em  questão ganhou o nome de “beastquake”, pois gerou um pequeno terremoto no campo dos Seahawks no momento da comemoração. Quem presenciou o lance em questão consegue entender o abalo sísmico após a corrida do camisa 24.

Para entender melhor o fenomenal running back, uma volta no tempo. Nascido em 22 de Abril de 1986 em Oakland, California, Marshawn Terrell Lynch estudou na Oakland Technical High School, seguindo os passos de sua mãe, Delisa. Assim como ela, o jovem sempre mostrou aptidão aos esportes, jogava futebol americano e basquete, praticava luta livre e e atletismo. Era bom em todos eles, chegou a levar seu time de basquete às semifinais do Estado da Califórnia. Já no futebol americano universitário, foi o melhor jogador de sua conferência e também do país. Era destaque na posição de running back ao lado de Adrian Peterson.

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Lynch em seu primeiro ano universitário

Na University of California já demonstrava habilidade para deixar defensores desmoralizados, quebrando tackles e tornozelos pelo mundo universitário a fora.  Lynch correu para 628 jardas no primeiro ano,  o único que ele utilizou a camisa 24. Já com  o número 10 nas costas, ele teve duas temporadas de mais de 1000 jardas correndo: 1246 em 2005 e 1356 em 2006, somando ainda mais 453 recebidas e 372 retornando punts e kickoffs.

Sua faculdade chegou a lançar uma campanha para que ele fosse escolhido ao prêmio Heisman Trophy, maior honra universitária, porém ele não chegou nem aos 10 primeiros, ficando atrás de ilustres desconhecidos no mundo da NFL como Steve Slaton, Michael Hart e Ian Jhonson, apenas para mencionar a posição de running back. Foi nomeado para o primeiro time dos melhores jogadores de sua conferência, a Pac-10. Lembrando que o Heisman naquele ano ficou com Troy Smith, que depois de muito tempo como reserva, foi parar na CFL ano passado, atualmente é um Free Agent.

lynch bills

Nos Bills ele utilizou o número 23

Lynch foi selecionado na primeira rodada pelo Buffalo Bills, com a 12º escolha do Draft. Foi titular logo na primeira partida do time em 2007, marcou seu primeiro TD como profissional.  Seu melhor jogo na temporada foi contra o Cincinnati Bengals, lançou um touchdown para o TE Robert Royal e anotou outro de 56 jardas com as pernas. Mesmo com algumas lesões, fechou o ano de calouro com 1115 jardas e 7 TDs. Em 2008 sua estrela continuou a brilhar, com 1036 jardas correndo e 7 TDs, foi convidado para o primeiro Pro Bowl.

Se envolveu em problemas com a justiça da Califórnia em 2009. Chegou a ser suspenso pela NFL por três jogos, teve uma temporada aquém de sua capacidade. Perdeu a posição de titular para Fred Jackson, que ainda está nos Bills até hoje. A maré realmente não estava boa para o running back em Buffalo, foi trocado na temporada seguinte com os Seahawks, após três partidas disputadas em 2010. Apesar de chegar em Seattle com a temporada já em andamento, ele foi relativamente bem em seu primeiro ano por lá: 737 jardas corridas  e seis touchdowns.

beast mode

Lynch fez história com a camisa dos Seahawks

E voltamos a abertura do texto. Desde sua chegada à Seattle, em nenhuma posterior ele obteve menos de 1200 jardas corridas, além de ter marcado pelo menos 11 TD’s correndo e um recebendo a bola. Apesar do famoso lance do “beastquake” citado acima, foi em 2013 que o camisa 24 atingiu a glória máxima, foi peça fundamental na conquista do Super Bowl 48, em Nova York.

Lynch também é um jogador diferenciado fora dos gramados. Ele possui o hábito de nunca falar com a imprensa, pois se sente como “se estivesse sendo obrigado”. Ano passado, ele protagonizou duas suituações marcantes, ambas em jogos contra o Arizona Cardinals. Na primeira, ele respondeu a quase todas as perguntas com “yeah”. Na outra, se esquivava dos jornalistas com “obrigado por perguntar” e “agradeço sua pergunta”. Atitude que gerou várias multas impostas pela NFL. Ele voltou a polemizar no Media Day da última terça-feira (27),  respondeu 30 vezes “eu só estou aqui para não ser multado”.

O camisa 24 também possui outra particularidade: sua paixão por Skittles. Hábito criado por sua mãe, que dava as balinhas a ele dizendo serem “pílulas de força”. Durante um jogo televisionado para todo os EUA, ele foi visto comendo o doce, o que levou a um acordo com a Mars, produtora da marca: um estoque de dois anos de Skittles e um armário personalizado. Os fãs de Seattle costumam jogar as balinhas no campo quando ele marca um touchdown, não é estranho vê-lo de boca aberta  embaixo das arquibancadas após marcar um TD.

Peça fundamental no esquema do técnico Pete Carroll, Marashawn Lynch caminha para marcar ainda mais seu nome na imortalidade. Mesmo com um resultado negativo no próximo domingo (1), o personagem peculiar já está na história da NFL.

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