Uma chamada errada, uma interceptação e o Super Bowl perdido

Darrell Bevell foi o responsável por chamar a jogada

Darrell Bevell foi o responsável por chamar a jogada

– Essa foi a pior jogada chamada que eu já vi na história do futebol americano – Emmitt Smith.

– Não posso acreditar nesta jogada – Terrell Owens

– Segunda para o TD na linha de uma jarda. Você tem um tempo e BEASTMODE para correr… Eu não lançaria a bola nem para o Jerry Rice! #Fail – Sidney Rice

– Como pode ser tão estúpido? Marshawn Lynch é o cara e você faz isso??? Você está brincando??? Paga Marshawn Lynch para ficar e faz isso? – Deion Sanders

Não tem como não questionar a chamada de Darrell Bevell na interceptação decisiva que garantiu a vitória do New England Patriots sobre o Seattle Seahawks no Super Bowl 49. E foi isso que todos fizeram após o duelo no Arizona. Em uma segunda para o touchdown na linha de uma jarda, faltando 27 segundos para o fim do jogo, com um tempo para pedir e um dos melhores running backs da NFL, você não tem alternativa: TEM QUE CORRER COM A BOLA.

No entanto, o coordenador ofensivo dos Seahawks preferiu arriscar um passe. Russell Wilson foi interceptado pelo herói improvável Malcom Butler e o New England Patriots conquistou seu quarto título do Super Bowl.

– Eu disse aos jogadores, “Isso tudo é minha culpa, completamente” – disse técnico Pete Carroll após a partida.

A interceptação da vitória dos Patriots

A interceptação da vitória dos Patriots

Já Bevell, que assumiu a responsabilidade pela chamada da jogada, afirmou após o Super Bowl que o WR Ricardo Lockette deveria ter ido mais forte para a bola, tirando um pouco da sua responsabilidade. Lamentável para o coordenador, que de certa forma colocou a culpa no recebedor de apenas 18 recepções na carreira em um jogo importantíssimo.

Ninguém correu para tantas jardas quanto o Seattle Seahawks na temporada. Lynch foi o RB com mais touchdowns (empatado com DeMarco Murray) e o quarto com mais jardas terrestres. No Super Bowl 49 ele estava com 102 jardas e um touchdown na partida. Ele era a chamada o homem de confiança, mas Carroll preferiu arriscar o passe com Wilson – que justiça seja feita, começou mal o jogo mas melhorou bastante e estava muito bem.

Em situações de conversão de descida para três jardas ou menos, os Seahawks tiveram nove chances de continuar a campanha: conseguiram em quatro, sendo três com Lynch e uma com Russel Wilson. Dessas, duas viraram touchdowns – situação parecida com a que o time enfrentou no fim. Das cinco chances não convertidas, duas foram em corridas do running back e três em passes do quarterback.

Analisando a jogada

IMAGEM1Olhando a jogada e fazendo uma análise, os Patriots já esperavam um passe de Russell Wilson. Antes da jogada ele passa Marshawn Lynch e Doug Baldwin para o seu lado esquerdo e entra na formação shotgun – típica de passe. Como pouco usou o read option no jogo, a defesa de New England se posicionou para o passe e colocou cinco homens para pressionar o QB a lançar a bola rapidamente. Na secundária, uma marcação mano a mano e o LB D. Hightower ficando como espião do QB para analisar a jogada.

IMAGEM2Como fez durante todo o duelo, os Patriots colocaram marcação homem a homem nos recebedores dos Seahawks. Um adendo: o Super Bowl 49 deixou claro que Seattle precisa de um recebedor top. O responsável pelo corte para o meio na rota foi o WR Ricardo Lockettte. Na marcação dele estava o CB Malcolm Butler, que leu muito bem e se antecipou ao adversário. Com isso, entrou na frente da rota, que era uma pedra cantada, e interceptou a bola para vencer o jogo.

Ainda acrescento mais um erro pouco comentando. Em uma situação dessas, normalmente você arrisca um passe curto baixo, não alto. Se a bola fosse lançada alguns centímetros mais baixa, a recepção seria mais difícil, mas a interceptação se tornaria quase impossível.

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