Contagem regressiva Endzone Brasil: biografia do #9 Drew Brees

09 dias drew brees

Quando se fala dos melhores quarterbacks da atualidade, impossível deixar o nome de Drew Brees de fora. Ele é ao lado de Peyton Manning, Tom Brady e Aaron Rodgers um dos melhores da posição que pisaram em um gramado da NFL nos últimos anos. Muito inteligente dentro de campo, consegue ler como poucos as movimentações da defesa e fazer ajustes para a jogada ser produtiva. Tudo que ele faz é por alguma razão. Coloca a bola onde ela deveria estar, driblando as coberturas e facilitando a vida de deus recebedores. Faz ao lado do técnico Sean Payton uma das parcerias mais prolíficas da história da liga: cinco dos nove anos em que estiveram juntos o New Orleans Saints teve o melhor ataque da NFL.

Brees com a 15 em Purdue

Brees com a 15 em Purdue

Jovem promessa da Universidade de Purdue, Brees acompanhou com expectativa o Draft de 2001, entretanto, se decepcionou ao não ser escolhido na primeira rodada. Apesar do talento já demonstrado, os analistas da época não levaram fé no quarterback, por ter uma estatura baixa demais para os padrões da NFL. O San Diego chargers, que já havia selecionado o monstro RB LaDanian Tomlinson na primeira rodada, não acreditou quando viu Brees ainda disponível, utilizou a primeira escolha da segunda rodada para selecionar o QB. Reserva do veterano Doug Flutie em seu primeiro ano na liga, Brees assumiu o posto de titular dos Chargers em 2002. Logo mostrou que a questão da altura não seria um problema, lançou mais de 3 mil jardas e 17 TDs naquela temporada. Em 2003 as coisas mudaram um pouco, as atuações irregulares fizeram com que ele perdesse o posto de número um ao longo da temporada.

Com a aposentadoria de Flutie no fim daquele ano e a temporada ruim de Brees, San Diego tratou de selecionar o QB Philip Rivers no Draft de 2004. Como Rivers perdeu boa parte do training camp por uma questão contratual, Drew Brees foi o titular naquele ano. O camisa 9 foi brilhante, venceu o prêmio de comeback of the year e levou a equipe aos playoffs. Fato que mudou a cabeça dos dirigentes dos Chargers, que colocaram a “franchise tag” no jogador para que Brees não ficasse livre para negociar com outros times.

O camisa 9 liderando os Chargers

O camisa 9 liderando os Chargers

Drew teve mais um bom desempenho em 2005, mas sofreu uma grave lesão no último jogo da temporada contra o Denver Broncos. Ele rompeu o labro direito e lesionou o manguito rotador, muitos duvidaram se conseguiria lançar uma bola oval novamente. Livre no mercado, Brees assinou com o New Orleans Saints, contratação de alto risco que despertou a ira de muitos torcedores da Big Easy.

Sentimento que não durou muito tempo. Devastada pelo furacão Katrina em agosto de 2005, o espírito de renovação e volta por cima se refletiu também no time da cidade. Os Saints tiveram uma temporada espetacular em 2006, primeiro ano da parceria entre Brees e o também recém-chegado técnico Sean Payton. Ao lado do RB Deuce McAllister e jovens talentos como Reggie Bush e Marques Colston, o camisa 9 teve o melhor ano de sua carreira até então, mostrando que estava totalmente recuperado da contusão. Ele liderou o desacreditado time a final da NFC, ficando a apenas uma partida de disputar o Super Bowl daquele ano. Apesar da derrota para o Chicago Bears na final da conferência, era o início de uma nova dinastia ofensiva na NFL.

Mesmo sem chegar na pós-temporada nos próximos dois anos, Brees lançou 9,502 jardas e 62 touchdowns, mostrando que o ataque dos Saints tinha potencial para chegar longe. Fato que se concretizou em 2009, a parceria entre Drew Brees e Sean Payton rendeu ao New Orleans Saints o primeiro Super Bowl da franquia. Após uma temporada irrepreensível de 13-3, New Orleans confirmou o título, após vencer nada menos que o Indianapolis Colts de Peyton Manning na grande final. Era a afirmação que faltava para Brees marcar seu nome como um dos melhores de todos os tempos.

Campeão do Super Bowl em 2009

Campeão do Super Bowl em 2009

Com a responsabilidade de defender o título no ano seguinte, o camisa 9 liderou os Saints mais uma vez aos playoffs, mas o time caiu diante do Seattle Seahawks no barulhento CenturyLink Field. O RB Marshawn Lynch no seu famoso “beast mode” destruiu a defesa adversária. No ataque, Brees sofria com um jogo terrestre quase que inexistente.

Apesar de mais uma vez ficar pelo meio do caminho na pós-temporada, foi em 2011 que Drew Brees teve o melhor ano de sua carreira. Mesmo com a derrota por 36 a 32 para o San Francisco 49ers no Divisional, um os melhores jogos da história da NFL com quatro viradas no último período, Brees trucidou o recorde de jardas totais em uma temporada regular de Dan Marino que durava 27 anos. Ele lançou 5,476 jardas, marca superada somente por Peyton Manning em 2013.

Depois de três temporadas consecutivas, New Orleans não foi aos playoffs em 2012, reflexo das punições que o time sofreu pelo escândalo do “bountygate” (pagar para atletas machucarem os jogadores adversários). Brees teve um ótimo ano, mas a defesa dos Saints foi a pior da NFL na maioria das estatísticas. A ausência de do técnico Sean Payton, suspenso pela temporada inteira, foi determinante no desempenho do time.

Com Payton de volta ao comando da equipe, Brees liderou os Saints rumo aos playoffs pela quinta vez em 2013. Apesar da temporada muito boa, o camisa 9 foi parado totalmente pela espetacular defesa do Seattle Seahawks no Divisional Round. Antes da temporada 2014 começar, a expectativa para o que o New Orleans Saints poderia fazer era muito grande. Com o passar dos meses, a animação foi dando lugar a preocupação, o time foi uma das maiores decepções do ano. Não conseguiu nem vencer a NFC South, divisão com um dos piores desempenhos da história. Apesar do fraco desempenho defensivo da equipe, Brees não decepcionou e lançou 4942 jardas, 33 TDs e 17 INTs.

A história voltou a se repetir em 2015: Brees com ótimos números, mas os Saints fechando a temporada com uma campanha 7-9. Outra vez New Orleans teve um ataque top 10 e uma defesa horrorosa. o grupo foi o pior da liga sofrendo pontos e o segundo pior em jardas cedidas. O foco da equipe na última intertemporada foi em arrumar o setor para poder dar uma chance ao ataque liderado por Brees alçar voos mais altos em 2016.

Drew Brees certamente terá um lugar no Hall da Fama da NFL quando se aposentar. Um líder dentro e fora de campo, capaz de dar a volta por cima e resgatar o orgulho de toda uma cidade devastada por uma tragédia. Um exemplo a ser seguido pelas próximas gerações.

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