O que há de tão especial nos Titans? Veja os Segredos da ‘zebra’ que derrubou Patriots e Ravens

Reprodução: site oficial dos Titans – Donald Page

Muito por estrear nos playoffs 2020 com um complicado duelo contra o New England Patriots de Tom Brady, fora de casa, uma boa parte das pessoas já colocava o Tennessee Titans como eliminados. Teve muita gente queimando a língua! Porém, os Patriots tinham visíveis problemas, eram um time ‘batível’. Agora, o Baltimore Ravens de Lamar Jackson, o melhor time da NFL…tarefa impossível, certo? Não. Mais uma vitória, fora de casa, um triunfo ainda mais impactante do que o duelo de Wild Card.

Afinal, o que faz desse “desconhecido” Tennessee Titans tão eficiente? Quais os ingredientes para o sucesso desse time que muitos davam como eliminado antes mesmo de estrear na pós-temporada? Listamos alguns deles:

A ENTRADA DE RYAN TANNEHILL COMO QB TITULAR

Antes mesmo da temporada, o titular Marcus Mariota já era questionado. O ex-vencedor do prêmio Heisman, e 2ª pick do draft de 2015, não apresentava nada próximo do esperado. Então chegou a semana 6 desta temporada e Mariota foi substituído no 3º quarto de uma derrota para o Denver Broncos por 16×0. Tennessee chegava a duas vitorias e quatro derrotas e via suas esperanças, não tão grandes, de playoffs diminuindo a cada partida.

O novo titular, Ryan Tannehill, nunca unânime no Miami Dolphins, chegou para ser reserva de Mariota, mas mostrou ter muito a provar com a oportunidade recebida. Começando com duas vitorias e uma derrota, os Titans duelaram em um jogo incrível contra o Kansas City Chiefs. Uma vitoria era essencial naquele momento da temporada, e Ryan Tannehill mostrou todo seu valor durante este jogo. Com ótimos momentos, belos passes e corridas, Tannehill conseguiu uma improvável virada nos segundos finais da partida, que foi uma das melhores da temporada. Ali, os Titans finalmente pareciam ter um quarterback capaz de levar o time longe.

Os recebedores de Tennessee melhoraram muito seus números com o novo titular: o calouro AJ Brown, Corey Davis e Jonnu Smith foram destaques na metade final da temporada. Outro ponto positivo do ataque liderado por Tannehill foi a efetividade na redzone – com poucos turnovers e alta porcentagem de touchdowns. Finalmente, uma vitoria contra os Texans na ultima rodada, em outro ótimo jogo de Tannehill, confirmou o time de Nashville na pós temporada com o retrospecto de 9-7 e a posição #6 na AFC.

DERRICK HENRY, BEASTMODE 2.0?

Um running-back a moda antiga, extremamente físico, quebrador de tackles, paciente e explosivo. Muito similar a Marshawn Lynch, do Seahawks, um dos corredores mais físicos da última década. Essa é a melhor descrição/comparação para Derrick Henry. O verdadeiro carregador de piano no backfield dos Titans e principal jogador da equipe, Henry foi fundamental em diversos jogos durante a temporada: líder absoluto da NFL em número de corridas (303), jardas corridas (1540) e touchdowns terrestres (16), tudo isso com uma média excelente de 5.1 jardas por corrida.

E não é só por terra que Henry tem importância. Com todo esse impacto causado no jogo terrestre, os Titans usaram e abusaram de big plays através do play-action. Parar Henry se torna o foco número 1 das defesas, que caem na armadilha e cedem grandes passes – a exemplo do Baltimore Ravens no último sábado, que, em uma única jogada após um turnover, cederam um touchdown em uma linda jogada de play-action.

Não bastasse os números da temporada regular, Henry vem quebrando recordes nos playoffs também, sendo o primeiro jogador com jogos consecutivos (contra Pats e Ravens) a somar 170 ou mais jardas em cada jogo. Ele também tem o maior total de jardas corridas nos 4 primeiros jogos de um running back nos playoffs, com 561. Será que alguém consegue segurar o Beastmode 2.0?

DEFESA ADAPTÁVEL E EXTREMAMENTE EFICIENTE

Longe de ter números espetaculares ou superestrelas, a defesa dos Titans tem mostrado um traço extremamente importante em times vencedores : adaptabilidade. O gameplan defensivo varia de adversário para adversário. Contra os Patriots, o time se expôs ao jogo corrido, mas utilizou de muitas marcações em zona para anular o jogo aéreo de New England. Se deu ao luxo de ceder algumas corridas grandes, porém anulou os passes de Tom Brady, segurou as investidas dos Pats na redzone e cedeu apenas 13 pontos.

Já contra os Ravens, estratégia foi completamente diferente. O foco foi em parar o ataque terrestre mais potente da liga, sempre “recheando” o box de jogadores. Assim, Mark Ingram e Lamar Jackson não tinham muito espaço para corridas explosivas. Os recebedores de Baltimore, ponto fraco da equipe, ficavam no mano a mano contra os cornerbacks. Essa estratégia forçou os Ravens a buscar mais o jogo aéreo e causou interceptações através do desconforto de Lamar Jackson com a situação (o QB dos Ravens passou a bola 59 vezes na partida, número absurdo, principalmente para seu estilo de jogo).

Com o domínio no placar, Tennessee adaptou marcações mais profundas, prevenindo big plays. Assim, Lamar Jackson teve números de jardas enormes, porém quando o campo se “encurtava” na redzone, voltou a ter problemas e a não conseguir transformar suas jardas em pontos. Para resumir, a defesa dos Titans se apoia muito mais em performances coletivas e baseadas no plano de jogo, de adversário para adversário. Destaques para o safety Kevin Byard, um dos melhores da NFL, e para o lineman de defesa Jurrell Casey, responsável por forçar um fumble contra os Ravens.

OS TITANS FAZEM O JOGO MAIS “BÁSICO” E EFICIENTE DA NFL

Em uma era de ataques complexos, defesas recheadas de jogadores mais leves e atléticos, Tennessee basicamente vai contra esses pontos – abusando do jogo corrido, de chamadas favoráveis de play-action e utilizando esquemas ofensivos “pesados” com dois, três tight ends em campo. Na defesa, se adapta semana a semana para seus oponentes. Mistura blitzes, pressão, com campo espaçado, marcação em zona ou homem a homem. Nenhum grande segredo.

Se o seu jogo corrido está funcionando, Tennessee vai correr com a bola 40 vezes por jogo e passar 10. Ryan Tannehill não tem nem 200 jardas somadas nos dois jogos de playoffs, mesmo assim, está sendo perfeitamente efetivo no esquema ofensivo.

Os Titans utilizam uma mentalidade do filósofo chinês Sun Tzu, autor de “A Arte da Guerra” e aplicada por Bill Belichick em New England, “ataque com suas forças as fraquezas de seu oponente, e proteja suas próprias fraquezas”. Simples e efetivo, é assim que o Tennessee Titans busca vencer o Kansas City Chiefs neste final de semana em Arrowhead por uma vaga no Super Bowl.

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