Insistindo no erro? Veja por que Kyle Shanahan levou a virada em mais um Super Bowl

Neste último domingo (02), o Kansas City Chiefs conseguiu uma virada épica sobre o San Francisco 49ers, no último período, e venceu o Super Bowl 54. Méritos a Andy Reid por seu primeiro Super Bowl, méritos a Patrick Mahomes, um gênio. Agora, é preciso lembrar que do outro lado estava um treinador que parece estar se acostumando com a situação de “perder jogos ganhos”. Kyle Shanahan, pela segunda vez na carreira, sucumbiu completamente a pressão e saiu do maior jogo do ano com as mãos abanando.

Acredite se quiser: Kyle é o responsável pelas duas derrotas mais improváveis da historia na era Super Bowl. Com o Falcons no SB 51, ele tinha 99,7% de chances de vitoria. Contra os Chiefs, no último domingo (02), ele tinha 96,1% de chances.

Péssimas decisões, controle completamente errôneo do relógio, chamadas duvidosas… um completo desastre nos momentos mais importantes do Super Bowl. De fato, assim como no Super Bowl 51, quando Kyle era coordenador ofensivo do Atlanta Falcons, ele só tinha controle sobre o que seu ataque fazia em campo. As defesas de 49ers e Falcons falharam, mas isso é esperado quando se tem o controle do placar e se está sob forte pressão de ataques poderosos.

O problema principal está mesmo na péssima administração da situação de Kyle Shanahan. Para se ter noção, nos dois Super Bowls em que ele treinou, seus times perdem por um placar somado de 46×0 no quarto período e prorrogação. Quais são as semelhanças com a derrota do Falcons a 3 anos atrás? Quais são os erros que o treinador dos 49ers segue cometendo nos momentos mais importantes da temporada? Confira aqui alguns dos principais momentos que prejudicaram os Niners na partida.

Passividade e medo de arriscar

Um dos momentos cruciais da derrota de San Francisco se passou antes do intervalo. O jogo parecia favorecer os Niners, a defesa segurava bem Patrick Mahomes, que parecia incomodado com a pressão de Nick Bosa e companhia. Logo após o two minute warning, os Chiefs tinham uma conversão difícil de 3rd down, a qual não conseguiram. Damien Williams correu com a bola para uma única jarda. Os Niners tinham todos seus três timeouts, porém Kyle Shanahan optou por deixar o relógio correr. O GM John Lynch sinalizava desesperadamente nos camarotes por um pedido de tempo.

Em seguida, a decisão se torna mais confusa. Os Niners deixaram o relógio correr para pouco mais de um minuto, mas decidiram tentar grandes jogadas mesmo assim. Sem sucesso (George Kittle teve uma recepção que colocaria os 49ers em situação de field goal com apenas 14 segundos no relógio, mas uma interferência ofensiva foi marcada), Jimmy Garoppolo apenas ajoelhou na bola e levou o jogo empatado em 10×10 para o intervalo.

Shanahan, contra um dos ataque mais poderosos da NFL, teve a chance de aumentar o placar. Pedindo o tempo ele teria praticamente 2 minutos para anotar um touchdown e ainda receberia a posse de bola para começar o segundo tempo. No melhor dos cenários, San Francisco poderia ter uma vantagem de 24×10 em duas posses – contra um ataque que fatalmente viria a marcar mais pontos no final da partida.

Quando questionado sobre a decisão, Kyle Shanahan deixou exposto uma certa desconfiança em Garoppolo e um medo sobre os Chiefs. Ele afirmou que não queria correr o risco de não conquistar um first down e devolver a bola rapidamente para os Chiefs. Pensamento pequeno, medroso e extremamente conservador.

Inventando demais na hora de simplificar o jogo

Que me perdoem os torcedores do Falcons, mas vocês já viram esse filme, nesta exata mesma situação. Quarto período, jogo sob controle, jogo terrestre funcionando…e Kyle Shanahan começa a pensar demais, inventar demais.

O treinador de 40 anos é uma das maiores mentes ofensivas da NFL, disso não se duvida. Por vezes ele mostrou isso durante a temporada, e também mostrou não ter medo de jogar de uma forma simples e efetiva. Quando coordenava o ataque dos Falcons, a metodologia era a mesma.

Porém, assim como quando em Atlanta, no principal jogo do ano, Shanahan parece ter um defeito: ele foge de seus próprios princípios quando se trata do Super Bowl. Ele parece jogar como se estivesse perdendo quando está ganhando e jogar como se tivesse ganhando quando está perdendo.

Com a liderança por 20×10 no placar e a posse de bola com 11 minutos e 57 segundos no relógio, após uma interceptação de Mahomes, o manual parecia fácil para San Francisco. Queimar o relógio, continuar com o jogo terrestre (que estava dando muito certo), somar mais pontos e não dar chances para o #15 dos Chiefs fazer suas mágicas e virar a partida. Então, o desastre de Shanahan.

Ele correu apenas mais QUATRO vezes até o final do jogo, mesmo tendo uma média de 6,9 jardas por corrida até o momento da interceptação. Tevin Coleman mal encostou na bola no segundo tempo; Raheem Mostert, que corria com explosão nas avenidas criadas pela linha ofensiva, sumiu das chamadas ofensivas. Os reverses eficazes de Deebo Samuel foram abandonados. Uma chuva de play-actions previsíveis, passes errados de Garoppolo, chamadas que não enganavam ninguém.

Os Chiefs diminuíram, mas San Francisco ainda podia queimar o relógio e acabar com o jogo de vez – com 20×17 no placar e cerca de cinco minutos no tempo de jogo. Primeira descida, uma corrida ótima de 5 jardas de Raheem Mostert. A chave do jogo, aí, na sua cara Kyle Shanahan! E as duas próximas chamadas? Dois passes incompletos de Garoppolo e um total de 48 segundos queimados no relógio. Punt, bola nas mãos de Patrick Mahomes para o drive final, da virada.

O treinador dos 49ers precisa aprender, de uma vez por todas, a manter seus princípios e não sucumbir a pressão da mídia. “Ah, Garoppolo só passou 8 vezes contra os Packers!” – então Shanahan quis abusar do braço do seu QB no momento mais importante do jogo. É um rótulo pesado, mas não tem como não classificar atualmente Kyle Shanahan como pipoqueiro, perdedor.

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