Lendas da NFL: a biografia de Brett Favre

Dono de um dos braços mais fortes da NFL, Brett Favre foi um dos grandes quarterbacks das últimas décadas e ficou eternizado na história da liga. “O Velho Pistoleiro” fez história com a camisa do Green Bay Packers e estabeleceu recordes impressionantes.

Favre disputou dois Super Bowl e venceu o XXXI, em 1997, tirando os Packers de uma seca de 30 anos. Eleito três vezes MVP, o camisa 4 teve passagem apagada pelo New York Jets, mas voltou a encantar pelo Minnesota Vikings já no final da carreira.

Dentre os recordes e marcas, Favre, por exemplo, ostentou por um tempo maior número de passes para touchdown e mais jardas aéreas. Hoje, ao lado de Peyton Manning e Drew Brees, ele é um dos únicos quarterbacks a vencer as atuais 32 franquias da NFL.

Beisebol fica para trás e o futebol americano ganha espaço

Natural de Gulfport, Mississippi, Brett Favre começou sua trajetória no esporte cedo. Ainda na escola, se destacou por praticar beisebol e futebol americano e, embora a afinidade com a as bases e os tacos tenham surgido primeiro, seu destino acabou sendo a bola oval.

Sob o comando de Irvin Favre, seu pai e head coach da Hancock North Central High School, Brett Favre atuou como quarterback, linha ofensiva, strong safety, kicker e punter. Mas logo cedo, o talento de seu braço ficou evidente e ele foi escolhido para liderar o ataque. Mesmo com o esquema sendo baseado no jogo terrestre, o futuro hall da fama da NFL encontrou espaço para brilhar e chamou a atenção de Mark McHale, assistente técnico da University of Southern Mississippi.

“Parecia que saíam fumaças e chamas da bola”, este foi o comentário de McHale após um passe de Favre.

College teve ressaca com gosto de vitória e acidente grave

Na transição para a universidade, a Southern Mississippi ofereceu uma bolsa a Brett Favre e conseguiu recrutar o jogador. Porém, houve um conflito logo no início, já que os treinadores queriam utilizá-lo como defensive back, enquanto ele insistia em seguir como quarterback. Diante disso, Brett Favre começou seu ano de calouro apenas como o sétimo QB da equipe, isso até uma “certa ressaca”.

Em 19 de setembro de 1987, Favre começou no banco o duelo entre Southern Mississippi e Tulane, mas precisou entrar em campo após o titular sofrer uma lesão. O detalhe é que Brett Favre estava de ressaca por conta de uma noite regada a álcool no dia anterior – ele chegou a vomitar no campo, durante o aquecimento. Mesmo assim, Favre entrou em campo, anotou dois passes para touchdown, liderou sua equipe a vitória e assumiu a condição de titular.

Tudo corria bem com a evolução de Favre, até um acidente colocar tudo em questão. O jovem quarterback perdeu o controle de seu carro em uma rua perto da casa de seus pais e por pouco o pior não aconteceu. Por conta do desastre, os médicos precisaram remover cerca de 75 centímetros do intestino de Favre.

Contudo, Favre voltou aos gramados apenas seis semanas depois e liderou sua faculdade a uma vitória de virada sobre Alabama. O desempenho de Brett Favre foi tão impressionante que Gene Stallings, HC dos Crimson Tide, afirmou: “Chamem de lenda, milagre, do que vocês quiserem, eu só sei que, naquele dia, Favre era maior que a vida”.

Durante quatro anos em Southern Mississippi, Brett Favre foi o dono do time e colecionou grandes marca. Foram 613 passes completados para 7695 jardas, 52 touchdowns e 34 interceptações.

Falcons selecionam, mas Green Bay aposta em Favre

Brett Favre ficou eternizado com a camisa do Green Bay Packers, mas sua primeira equipe na NFL não foi a de Wisconsin. Em 1991, ele foi selecionado pelo Atlanta Falcons na 33ª posição geral do Draft e, somente no ano seguinte, foi envolvido em uma troca com os Packers. De acordo com jornais e fontes, a negociação por pouco não foi anulada por conta de uma condição degenerativa diagnosticada em Favre ainda no exame médico, a mesma que abreviou a carreira de Bo Jackson na NFL. Ron Wolf, general manager dos Packers na época, ignorou a análise dos doutores e seguiu com a transação.   

Logo em seus primeiros anos com a camisa de Green Bay, Favre provou que Wolf estava certo. Eleito para o Pro Bowl ainda na sua temporada de estreia, Favre seguiu evoluindo e liderou os Packers aos playoffs em 1993, algo que não acontecia há 11 anos. O feito rendeu uma renovação de 5 anos e US$ 19 milhões a Brett Favre, que repetiria a classificação à pós-temporada em 1994, foi a primeira vez que a franquia avançou ao mata-mata em anos consecutivos na “Era Vince Lombardi”

Três anos de dominância e consagração em casa

Foi a partir de seu quarto ano em Green Bay que Favre atingiu o seu auge e dominou a NFL. De 1995 a 1997, ele foi eleito MVP por três anos consecutivos e disputou dois Super Bowl, vencendo um e perdendo outro. Neste período, ele acumulou 14269 jardas, completou 1154 passes, distribuiu 130 touchdowns e sofreu 48 interceptações – contando temporada regular e playoffs. Para se ter uma ideia, é uma média de 43 TDs por ano. Surreal!

Em 1996, depois de quedas consecutivas para o Dallas Cowboys, Favre e os Packers deixaram San Francisco 49ers e Carolina Panthers pelo caminho e enfim alcançaram o Super Bowl. Jogando no Lousiana Superdome, sua terra natal Mississippi, Brett Favre terminou a partida com 14-27, 246 jardas dois touchdowns aéreos e um terrestre. Performance mais do que decisiva na primeira vitória de Green Bay em um SB desde 1967. No ano seguinte, Favre voltaria ao Super Bowl, mas desta vez seus três touchdowns não seriam suficientes para superar o Denver Broncos de John Elway.

Renovação e o jogo da vida de Favre

Nos anos seguintes, Brett Frave seguiu entre os melhores da NFL, mesmo enfrentando a concorrência de nomes como Steve Young, Dan Marino, John Elway, Kurt Warner e dos jovens Peyton Manning e Tom Brady. Ainda em 2001, mesmo não conseguindo levar os Packers aos playoffs, Favre renovou mais uma vez seu contrato, desta vez por incríveis 10 anos e cerca de US$ 100 milhões, tornando-o jogador mais bem pago da liga.

Em dezembro de 2003, a grandeza e o talento de Brett Favre alçaram um nível altíssimo. Ele resolveu entrar em campo para enfrentar o Oakland Raiders, apenas um dia após seu pai falecer. Antes do jogo ir para o intervalo, Favre já havia lançado quatro passes para TD e mais de 250 jardas, uma performance de rating perfeito (158.3) ainda no primeiro tempo.

“Eu sabia que meu pai gostaria que eu jogasse. Eu o amo muito e amo muito o jogo. Isso significou muito para mim, para o meu pai, para a minha família, eu não esperava um desempenho desse. Mas eu sei que ele estava me assistindo nesta noite”, confessou Brett Favre, que ainda recebeu um prêmio ESPY naquele ano pela atuação contra os Raiders.

Recordes e “primeiro adeus”

Depois de uma temporada decepcionante em 2005, rumores sobre aposentadoria foram especulados e Brett Favre tratou de despistá-los. Em 2006, ele se tornou o primeiro jogador da NFL a romper a barreira dos 5000 passes completados na carreira. No ano seguinte, seria a vez de anotar seu touchdown de número 421, superando Dan Marino e assumindo o recorde de TDs lançados na história da liga – Drew Brees é o dono da maior marca atualmente com 547.

Ainda em 2007, Favre teve a última grande temporada com a camisa dos Packers. Com ótimas performances e até um MVP de thanksgiving, ele liderou a franquia a um recorde de 13-3 e só foi derrotado na final da NFC pelo New York Giants. Apesar da grande campanha, Green Bay decidiu que era a hora de dar espaço para o jovem Aaron Rodgers, fator que culminou na primeira aposentadoria de Brett Favre, em março de 2008.

Fracasso no New York Jets e “segundo adeus”

Primeira aposentadoria? Sim, Brett Favre não se destacou só por sua habilidade, mas também por protagonizar um belo vai-e-vem na NFL. Meses após sua decisão de deixar os gramados, ele entrou em um acordo com os Packers e foi trocado para o New York Jets por uma escolha de quarta rodada do Draft de 2009.

Porém, o resultado não foi o esperado. Brett Favre conviveu com lesões e não conseguiu atuar em seu mais alto nível. Após aquela temporada, ele decidiu novamente que era hora de parar. Mas não vá pensando que era a última vez, não.

Redenção nos Vikings e o “adeus final”     

Em agosto de 2008, depois de ser dispensado pelos Jets, Favre acertou seu retorno a NFL novamente, desta vez defendendo o Minnesota Vikings, arquirrival dos Packers. Naquela temporada, inclusive, o camisa 4 mostrou “sangue nos olhos” e aniquilou seu ex-time: 515 jardas e 7 touchdowns nas duas vitórias pela temporada regular. Contrariando sua queda de rendimento recente, Favre teve um desempenho sólido naquele ano e levou os Vikings a final da NFC, perdendo para o New Orleans Saints, de Drew Brees.

Brett Favre ainda voltou para a temporada 2010. Em dezembro, uma lesão no ombro de Favre o fez ficar fora de uma partida contra os Giants e ali chegou ao fim o recorde de jogos seguidos como titular estabelecido por ele, foram 321 entre regular e playoffs, maior marca da história da liga. Favre retornou a campo contra os Bears naquele mês, mas uma concussão sofrida na partida abreviou o final de sua temporada, bem como o de sua carreira na NFL.

Em 2013, o St. Louis Rams procurou Favre, que rejeitou um novo retorno à NFL, mas nem era preciso. Em 16 anos de carreira, Brett Favre acumulou 77.693 jardas aéreas e distribuiu 552 passes para touchdown, nada mal para alguém que começou de ressaca não é mesmo?

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