Lendas da NFL: a biografia de Peyton Manning

Peyton Manning é uma das grandes lendas da história da NFL / Credit: Getty Images

Quem teve o prazer de acompanhar a carreira de Peyton Manning sabe muito bem que trata-se de um dos grandes nomes da centenária história da NFL. Claro que os cinco prêmios de MVP, 14 Pro Bowls e dois Super Bowls são importantes, mas a genialidade do camisa de vai além dos números: uma mistura única de precisão, inteligência e visão de jogo.

Não é exagero dizer que Peyton Williams Manning mudou a dinâmica do futebol americano no começo do século 21. A capacidade de ler as defesas adversárias foi algo absurdo – nenhum QB na história conseguiu fazer ajustes antes do snap como ele. Além de descobrir os pontos fracos da defesa adversária e explorá-los, Peyton tinha a capacidade única de detectar jogadas de blitz: o camisa 18 é o que possui a menor média de sacks por snaps da história (3,13%).

Ele simplesmente nasceu para ser um quarterback – posição que está no DNA da família Manning.

Primeiros passos de Manning

Peyton é filho de Archie Manning – QB lenda na Universidade do Mississippi e com 14 anos de experiência na NFL. Seu irmão mais novo também é bem conhecido: Eli Manning seguiu os passos do irmão e do pai e também fez sucesso na liga, no New York Giants. Junto com o irmão mais velho Cooper, os três filhos de Archie sempre mostraram ter o dom para a prática do esporte.

Peyton era fascinado pelo futebol americano desde criança: passava horas no jardim de casa treinando lançamentos, assistia gravações de jogos diariamente e estudava as formações dos times. O primeiro contato com o jogo veio na Isidore Newman School – onde fez o colegial. Nos três anos que foi titular, Manning liderou o time a um recorde de 34-5 e lançou 92 touchdowns.

Desempenho incrível no Tennessee

Manning com a 16 de Tennessee
Com a 16 de Tennessee

Quando chegou a hora de ingressar na universidade, Peyton surpreendeu a todos escolhendo atuar pelo Tennessee – ao invés de seguir os passos do pai e jogar por Mississippi. O então camisa 16 era o terceiro QB do time no ano de calouro, mas contusões dos outros dois fizeram com que ele atuasse na metade final da temporada. Ele não foi espetacular, mas jogou o suficiente para garantir a posição de titular nos anos seguintes.

Mais experiente, Manning foi melhorando a cada ano que passava: venceu 39 dos 45 jogos que foi titular e bateu os recordes de jardas e touchdowns lançados da universidade nos quatro anos que esteve por lá.

Início da história com os Colts

A eficiência e a regularidade chamaram a atenção do país todo: ele chegou no Draft de 1998 cotado a ser a primeira escolha geral do evento – que pertencia ao Indianapolis Colts. Foi exatamente o que aconteceu: era o inicio de uma longa e vitoriosa parceria de 13 anos.

Apesar de ser o líder em vitórias, passes completados, jardas e touchdowns da história da franquia, o sucesso não apareceu logo de cara. Indianapolis estava em plena reestruturação e sofria com uma defesa terrível. Apesar da campanha 3-13, Manning lançou 3739 jardas e 26 touchdowns. Pela falta de experiência na liga, lançou também 28 interceptações.

Mais acostumado com a NFL, Manning deu um salto de qualidade junto com todo o time no ano seguinte – fechando a temporada 13-3 e classificada aos playoffs. Apesar da derrota para o Tennessee Titans no Divisional Round, estava claro que o camisa 18 poderia levar o time a voos mais altos.

Domínio dos Colts e primeiro Super Bowl de Manning

Manning com o Lombardi Trophy em 2006

Os Colts logo passaram de saco de pancada a sérios candidatos ao título – foram a pós-temporada nove vezes consecutivas de 2002 a 2009. Período marcado quase todo pelo comando de Tony Dungy em Indianapolis: o treinador levou o nível do jogo de Manning a um patamar ainda mais alto. O camisa 18 foi espetacular no período – vencendo o prêmio de MVP (melhor jogador da temporada) em 2003, 2004, 2006, e 2009.

Em 2006 veio a glória máxima: o primeiro título de Super Bowl da carreira. Os Colts derrotaram o Chicago Bears por 29 a 17 e faturaram o primeiro título da franquia em 38 anos. Peyton foi eleito MVP do duelo. A segunda vez que Manning disputou a grande final foi em 2009, mas dessa vez o time não foi páreo para o New Orleans Saints de Drew Brees e companhia.

Lesão grave no pescoço e fim da parceria com os Colts

Em 2011 veio o pior ano da carreira. Meses após acertar uma extensão de contrato de mais cinco anos e 90 milhões de dólares, Manning teve que passar por uma cirurgia no pescoço. O resultado não foi satisfatório: ele havia perdido boa parte da mobilidade e da força do braço de lançamento. Peyton ficou de fora do primeiro jogo de sua vida – quebrando um recorde de 208 jogos seguidos (227 com playoffs).

O jogador teve que passar por um segundo e mais sério procedimento cirúrgico mais tarde – correndo o risco de nunca mais voltar a atuar na liga. Sem Peyton pelo resto do ano, os Colts tiveram uma campanha pífia de 2-14. Manning se recuperou da cirurgia, mas seu retorno era uma incógnita. Com o promissor QB Andrew Luck selecionado com a primeira escolha do Draft 2012, o time optou por dispensar Peyton.

Manning acha um novo lar nos Broncos

Após duas semanas como free agent, o camisa 18 encontrou um novo lar, o Denver Broncos, com um elenco talentoso e desesperado por um QB de elite. O sucesso foi imediato: Manning se entrosou rapidamente com os bons alvos do time e ficou a duas partida de disputar o Super Bowl. O camisa 18 venceu o prêmio de “comeback player of the year” pelo seu retorno triunfal.

Manning liderou os Broncos ao Super Bowl 48

O bom começo foi uma prévia do que viria em 2013 – ano em que o quarterback quebrou quase todos os recordes possíveis e imagináveis para uma única temporada. Foram 55 touchowns e 5477 jardas – números que lhe renderam o quinto título de MVP. Apesar do domínio ofensivo, ele não foi capaz de furar a fortíssima defesa do Seattle Seahawks no Super Bowl 48 – sofrendo uma derrota acachapante de 43 a 8.

O segundo Super Bowl da carreira

Manning e Lombardi: juntos de novo após nove anos
Manning e Lombardi: juntos após nove anos

Depois de novamente bater na trave em 2014, os primeiros boatos de aposentadoria começaram a surgir, mas Peyton decidiu permanecer na ativa. Com 39 anos, Manning viu em 2015 a última chance de vencer seu segundo anel de campeão – e desta vez agarrou a oportunidade com unhas e dentes.

Mesmo com uma temporada regular ruim do QB, com mais interceptações do que passes para TDs, a defesa dos Broncos foi espetacular e carregou o time aos playoffs. O camisa 18 não foi brilhante, mas jogou o suficiente para conquistar o segundo Super Bowl da carreira e o terceiro da franquia de Denver. A conquista contra o Carolina Panthers no Super Bowl 50 fechou com chave de ouro a carreira dessa lenda viva do esporte e futuro membro do Hall da Fama.

O adeus de Peyton Manning

Algumas semanas após conquistar o segundo título da carreira, a história de Peyton Manning como jogador da NFL chegou ao fim. Em um discurso emocionante, o jogador anunciou sua aposentadoria dos gramados no dia 07 de março de 2016 – na sede do Denver Broncos.

Mesmo longe dos gramados, Peyton continua sendo um dos grandes ícones da NFL e segue bastante ativo em programas de televisão e comerciais. O camisa 18 está naquele patamar de lendas do esporte e sempre será inspiração para as próximas gerações.

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