Lendas da NFL: a biografia Tony Gonzalez

Tony Gonzalez é um dos maiores TEs da história da NFL – Reprodução/ Kansas City Chiefs

Se hoje nomes como Rob Gronkowski e George Kittle fazem sucesso na NFL, tenha certeza que isso só acontece graças a Tony Gonzalez. Desde o final do século passado, o californiano dominou seus adversários, destruiu recordes e ressignificou a posição de tight end na liga. Com a mesma incrível capacidade para bloquear e receber passes, ele atormentou seus defensores durante toda sua carreira. Alguns dizem que, em seu auge, Tony Gonzalez era “imarcável”.

Gonzalez atuou por 17 temporadas, sempre com sua icônica camisa 88, primeiro pelo Kansas City Chiefs e depois pelo Atlanta Falcons. Ele foi um verdadeiro “homem de ferro”, perdendo apenas dois jogos por lesão durante sua carreira inteira. Eleito para o Hall da Fama da NFL em 2019, Tony Gonzalez é um dos maiores jogadores da liga a não vencer um Super Bowl. Como diz o clichê: “Azar do Super Bowl”.

Gonzalez supera o bullying e alcança os holofotes

Quem assistiu Tony Gonzalez jogar ou simplesmente viu seus highlights não imagina que ele não passava de um garoto assustado na infância. Muito antes de chegar à NFL, o futuro hall da fama teve de superar o bullying e a falta de confiança que aquilo lhe causou.

Apaixonado por basquete, Gonzalez dividiu as atenções entre as bolas laranja e oval por muito tempo. Depois de fracassar em um programa de jovens atletas de futebol americano, ele então resolveu tentar entrar na equipe de sua escola. Naquela ocasião, Tony superou o melhor jogador do time e provou para si mesmo que estava no caminho certo.

No seu último ano de colégio, Tony Gonzalez recebeu 62 passes, acumulou 945 jardas e anotou 13 touchdowns defendendo a Huntington Beach High School. Após aquela temporada, Gonzalez foi eleito como o Atleta do Ano de Orange County High School, ao lado de uma promessa do golfe, Tiger Woods.

Missão cumprida como “atleta duplo” e adeus glorioso ao basquete

Na transição para a faculdade, Gonzalez optou pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde atuaria pelo time de basquete e futebol americano. Porém, a empreitada no futebol americano se perdeu na vida universitária. Bebendo cada vez mais e treinando cada vez menos, Gonzalez passou seus dois primeiros anos desperdiçando seu talento.

Mas então, após mais uma temporada decepcionante, Tony Gonzalez percebeu que estava na hora de mudar. Sob o comando do treinador Steve Mariucci, seu desempenho cresceu vertiginosamente. Em três anos de college football, foram 89 recepções, 1302 jardas e 8 touchdowns. A evolução do jovem tight end foi tanta que ele foi eleito para o All-American e entrou na mira das franquias da NFL para o Draft de 1997.

Antes que a seleção chegasse, Gonzalez ainda tinha que concluir sua missão com os Golden Bears. No torneio da NCAA, Gonzalez mostrou todo seu potencial e foi fundamental para a vitória sobre Villanova. Ele anotou 23 pontos e limitou Tim Thomas, futura escolha de primeira rodada do próximo Draft da NBA, a apenas 11 pontos. No Sweet Sixteen, porém, os Cal Bears não foram páreos para North Carolina e a carreira de Gonzalez no basquete chegou ao fim.

Depressão abala Gonzalez, mas a sede por vencer se torna mais forte

No Draft de 1997, o Kansas City Chiefs subiu no board e selecionou Tony Gonzalez na 13ª posição geral. Em sua primeira temporada, o jovem tight end se mostrou um problema para as defesas adversárias, foram 33 recepções, 2 touchdowns e 1 bloqueio de punt. Kansas City terminou com a melhor campanha da AFC (13-3), mas caiu para o Denver Broncos de John Elway no Divisional Round. Gonzalez anotou o único touchdown dos Chiefs na derrota por 14 a 10.

Na temporada seguinte, as expectativas era que ele se destacasse ainda mais em seu primeiro ano como titular, mas não foi bem assim. Com um drop após o outro, a confiança de Gonzalez foi abalada e ele viu o fantasma de sua infância voltar para assombrá-lo.

Depressão, bebidas, noites em choro se tornaram um costume para ele, até que seu irmão apareceu para ajudá-lo. Incentivado por Chris Gonzalez, Tony se aprofundou na filosofia vitoriosa de Vince Lombardi e começou a ler livros espirituais. “Eu me tornei obcecado por vencer”, assim Tony Gonzalez definiu como saiu daquele buraco.

Gonzalez atinge o topo e domina a NFL

Obstinado a perseguir o sucesso, Tony Gonzalez explodiu a partir de seu terceiro ano na NFL. Aliando seu atleticismo com os aprendizados do basquete, ele ressignificou a posição de tight end e se tornou uma das grandes estrelas da liga. Durante os cinco anos seguintes (1999-2003), Gonzalez disputou 79 partidas e acumulou 376 recepções, 43 touchdowns e 4658 jardas – 1300 a mais do que 2º tight end no período. O camisa 88 ainda foi eleito quatro vezes para o All-Pro da NFL e outras cinco para o Pro Bowl.

Entretanto, como ele mesmo diz: “Estatísticas não importavam”. Enquanto a carreira de Gonzalez atingia níveis meteóricos, não era possível dizer o mesmo de seu time. Durante estes mesmos cinco anos, o Kansas City Chiefs encontrou dificuldades e só conseguiu uma campanha positiva, isso até 2003, quando a equipe voltou aos playoffs.

Após um excepcional início de temporada com nove vitórias seguidas, os Chiefs terminaram o ano com uma campanha 13-3, atrás apenas do New England Patriots na AFC. Porém, o ótimo desempenho não acompanhou Kansas City nos playoffs e Gonzalez viu sua temporada acabar no Divisional Round novamente. Ele anotou apenas 4 recepções para 55 jardas, na derrota por 38 a 31 para o Indianapolis Colts, liderado por Peyton Manning.

Recordes individuais contrastam com fracasso dos Chiefs

O ano seguinte de Tony Gonzalez foi ainda mais impressionante do que os anteriores. Assim como em 2000, ele passou das 1000 jardas, a segunda vez na carreira, e terminou a temporada com 1258, além de 7 touchdowns. Tony Gonzalez também anotou 102 recepções, novo e atual recorde para um tight end no quesito.

Enquanto Gonzalez seguia demolindo marcas e “enterrando” seus adversários com seus touchdowns, o sonho de triunfar na pós-temporada seguiu distante. Em 2006, os Chiefs terminaram 10-6 e avançaram via Wild Card, mas encontraram novamente o carrasco Indianapolis Colts e foram derrotados por 23 a 8. Nos dois anos seguintes, a situação de Kansas City ficou ainda mais difícil e, após duas campanhas pífias de 4-12 e 2-14, Gonzalez pediu para ser trocado.

Gonzalez segue em alto nível, mas fracassa novamente nos playoffs

Gonzalez com sua comemoração clássica nos tempos de Falcons – Reprodução/ Atlanta Falcons

Em abril de 2009, o Atlanta Falcons enviou aos Chiefs uma escolha da segunda rodada do Draft de 2010 e recebeu o astro Tony Gonzalez. Time novo, mas o mesmo tight end. Agora com outra camisa 88, uma vermelha e preta, Gonzalez conseguiu aliar seu ótimo desempenho a uma equipe consistente. Porém, a sina do fracasso nos playoffs continuou atormentando-o.

Em 2010, uma campanha de 13-3 e a 1ª colocação geral da NFC ficaram pelo caminho para o Green Bay Packers. Com apenas 1 recepção e 7 jardas, Gonzalez assistiu ao show de Aaron Rodgers, futuro campeão naquele ano. Curiosamente, na temporada seguinte, os Falcons seriam superados novamente pelos vencedores do Super Bowl. Naquela ocasião, foi a vez do New York Giants, de Eli Manning, dominar Atlanta e vencer por 24 a 2. Gonzalez terminou a partida com 4 recepções para 44 jardas.

Volta para casa e quebra de tabu

Após dois golpes duros, Tony Gonzalez cogitou se era hora de se aposentar, mas decidiu voltar para mais um ano. Aquela que, a princípio, seria última temporada começou justamente na sua antiga casa, o Arrowhead Stadium. Com direito a sua clássica enterrada de comemoração, Gonzalez anotou 5 recepções, 53 jardas e 1 touchdown. Matt Ryan depois confessou que foi o grande incentivador da comemoração que rendeu muitas vaias a Tony Gonzalez pela torcida dos Chiefs.

Com oito vitórias seguidas, os Falcons dispararam rumo a melhor campanha da NFC (13-3) em 2012. No Divisional Round, o adversário seria o Seattle Seahawks, que seria campeão do Super Bowl no ano seguinte. Daquela vez, porém, Gonzalez não perdeu sua chance.

A despeito de Atlanta quase desperdiçar uma vantagem de 20 pontos, o camisa 88 registrou 6 recepções, 51 jardas e 1 touchdown na vitória por 30 a 28. Mais do que estes números, Gonzalez foi responsável por uma recepção crucial já na reta final, que possibilitou o field goal de Matt Bryant no estouro do cronômetro. O fantasma estava exorcizado, Tony Gonzalez havia vencido nos playoffs.

Determinado a alcançar o Super Bowl, Gonzalez teve um jogo praticamente perfeito na final da NFC. Contra o San Francisco 49ers, ele recebeu as 8 bolas que foram lançadas em sua direção, acumulou 78 jardas e marcou 1 touchdown. Mas, se contra os Seahawks, Atlanta impediu uma virada, contra os Niners o mesmo não aconteceu. Após abrir 17 a 0, os Falcons sucumbiram no segundo tempo e foram derrotados por 28 a 24.

Gonzalez se aposenta entre os maiores da história

O camisa 88 ainda retornou para mais uma temporada defendendo o Atlanta Falcons. Entretanto, as 83 recepções para 859 jardas e 8 TDs não foram suficientes e Atlanta terminou com um recorde fraco de 4-12. Apesar de ainda ter mais um ano de contrato, Gonzalez decidiu que enfim era hora de pendurar as chuteiras.

Eleito para o Hall da Fama da NFL em 2019, Tony Gonzalez é considerado por muitos como o melhor tight end da história da liga, tendo Rob Gronkowski como o principal perseguidor do posto. Dentre os vários recordes conquistados pelo californiano, estão:
– Mais jardas recebidas por um tight end: 15.127;
– Mais recepções por um tight end: 1.352;
– Mais seleções para o Pro Bowl: 14;
– 3º com mais recepções na carreira: 1.325.

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