Melhores defesas da história da NFL: Seattle Seahawks de 2013

A famosa “Legion of Boom” (Reprodução/Seattle Seahawks)

Há cerca de um ano atrás, Tom Blair, analista da NFL Network, classificou o Seattle Seahawks de 2013 como o melhor time desta década. Em um período recheado de estrelas e com grandes potenciais surgindo a todo momento, esta condecoração ilustra bem o patamar que a equipe comandada por Pete Carroll atingiu naquela temporada.

Aliando muito bem garra com solidez, aquele Seattle Seahawks encantou. Um Russell Wilson, ainda segundo-anista, provou seu valor e contou com o enorme talento de Marshawn Lynch no ataque. Mas o maior destaque desta grande equipe estava do outro lado da bola. Liderados pela feroz Legion Of Boom, a defesa de Seattle aterrorizou seus adversários durante a temporada, doutrinando até mesmo o grande Denver Broncos da lenda Peyton Manning no Super Bowl XLVIII.

Em 2013, aquela equipe não “apenas” levou os Seahawks à gloria máxima do esporte pela primeira vez, mas também escreveu seu nome como uma das grandes da história da NFL.

Por que essa defesa era tão especial?

Reprodução – Seattle Seahawks

L.O.B. É certo que aquela equipe era equilibrada em todos os setores, mas os feitos da Legion Of Boom são o maior destaque. Patrulhando o lado esquerdo do campo – como o faz até hoje – Richard Sherman se estabeleceu como o melhor cornerback daquele liga. Ágil, bem posicionado, forte e muito falastrão, o camisa 25 começou a ser evitados pelos quarterbacks adversários durante as partidas, pois a chance de completar passes por ali não era das melhores.

A secundária de Seattle ainda contava com uma das mais potentes dupla de safeties da história da NFL. Earl Thomas e Kam Chancellor atingiram níveis absurdos em seu auge. Thomas era aquele jogador que parecia estar em todos os lugares do campo, sempre com uma cobertura eficiente e um tackle preciso. Chancellor, por sua vez, era dono de uma força enorme, que se tornava ainda mais impressionante quando combinada com sua velocidade. Byron Maxwell e Brandon Browner podem não ter o mesmo prestígio que os nomes anteriores, mas foram fundamentais na proteção ao flanco oposto ao de Sherman.

Para complementar uma secundária tão feroz, Seattle contava com um front seven igualmente cruel. Entre as melhores equipes em sacks e TFL (tackle for loss) de 2013, a unidade contava com a dupla de defensive ends Cliff Avril e Michael Bennett, além de um robusto corpo de linebackers formado por Bobby Wagner, Bruce Irvin, K.J. Wright e Malcolm Smith – eleito MVP do Super Bowl XLVIII.

Na sideline, Pete Carroll tinha o talento de Dan Quinn ao seu lado. Se Quinn ainda tenta se acertar como head coach do Atlanta Falcons após a dura derrota para os Patriots no SB LI, em Seattle ele o fez muito bem. Utilizando da melhor forma a versatilidade e potência dos jogadores, ele foi um dos grandes responsáveis por fazer da defesa dos Seahawks a mais temida da NFL por um bom tempo.

Principais recordes quebrados

Em 2013, a defesa dos Seahawks terminou a temporada regular com 231 pontos sofridos, 4378 jardas cedidas e 39 turnovers forçados, a primeira equipe a liderar todos os três quesitos desde o histórico Chicago Bears de 1985.

Já no Super Bowl, enfrentando o potente ataque de Denver, Seattle reafirmou essa força. Conseguindo o safety mais rápido da história da grande decisão (12 segundos), os Seahawks lideraram o confronto durante 59 minutos e 48 segundos, atual recorde da NFL. Em consequência do safety também, Seattle estabeleceu a maior vantagem de uma equipe sem sofrer pontos antes de um primeiro tempo de Super Bowl – 22 a 0 sobre os Broncos.

Ainda um dos únicos remanescentes dessa grande equipe de Seattle, Bobby Wagner terminou o duelo com 22 tackles e estabeleceu o novo recorde do Super Bowl. Malcolm Smith, que retornou uma interceptação de 69 jardas para touchown, recuperou um fumble e aplicou 9 tackles foi eleito MVP do duelo Foi a primeira vez desde 2013 que um defensor viria a receber o prêmio, a terceira vez que seria um linebacker (Von Miller se tornou o quarto LB dois anos depois).

Chegou até onde? (história da temporada)         

O camisa 25 comemorando o título (Reprodução/Seahawks)

O começo a temporada de Seattle já dava indícios de onde aquele time poderia chegar. Com quatro vitórias consecutivas, os Seahawks registraram o melhor começo da história da franquia. Ainda na semana 2, Seattle amassou o San Francisco 49ers, atual vice-campeão do Super Bowl, impondo 5 turnovers ao arquirrival, a pior marca contra o treinador Jim Harbaugh.

Com uma campanha de 13-3, Seattle avançou aos playoffs com a primeira colocação geral da NFC. No Divisional Round, o time de Pete Carroll enfrentou o New Orleans Saints. Mesmo diante de um Drew Brees com uma temporada de + 5000 jardas aéreas, a defesa dos Seahawks dominou o confronto. Marshawn Lynch foi o destaque ofensivo do duelo com 140 jardas terrestres e dois touchdowns. Vitória de Seattle por 23 a 15 e classificação para a final da NFC.

Apenas pela segunda vez na história da franquia, Seattle estaria na decisão de sua conferência. O rival era o San Francisco 49ers, equipe que havia superado na segunda rodada, mas que também fora responsável por impor uma das três derrotas sofrida pelos Seahawks na temporada regular.

Em um CenturyLink Field lotado, Seattle precisou se recuperar após ficar em desvantagem por 10 a 0. Com um segundo tempo excepcional, os mandantes viraram o placar para 23 a 17 já na reta final da partida.

Dentro do último minuto, então, a jogada da partida aconteceu. Colin Kaepernick fez um passe no canto direito da end zone tentando queimar Richard Sherman, mas o cornerback se recuperou e deu um tapa na bola antes dela chegar em Michael Crabtree. Malcolm Smith, que estava acompanhando o lance, agarrou a sobra e sacramentou o resultado do jogo com uma interceptação.

No dia 2 de fevereiro de 2014, Seattle Seahawks e Denver Broncos se enfrentaram pelo Super Bowl XLVIII. Recheados de grandes jogadores, as equipes iriam colocar frente a frente melhor defesa e melhor ataque da temporada. Naquela temporada, Peyton Manning distribuiu 55 passes para touchdown e estabeleceu o novo, e atual, recorde do quesito. Porém, todo poderio ofensivo de Denver acabou sendo engolido pela feroz defesa de Seattle.

Como já foi dito aqui, os Seahawks tomaram a liderança do placar logo no início, após conseguirem um safety aos 12 segundos. Ainda antes do fim do primeiro tempo, uma corrida de Marshawn Lynch e um retorno de interceptação de Malcolm Smith colocaram 22 a 0 no placar. Logo na volta para o segundo tempo, Percy Harvin recebeu o kickoff e disparou 87 jardas até a end zone para arrasar as esperanças dos torcedores dos Broncos.

Demaryius Thomas ainda anotou touchdown para Denver, mas nada adiantou. Antes, Jermaine Kearse já havia ampliado o placar, que depois seria fechado em outro passe lançado por Russell Wilson, desta vez para Doug Baldwin. 43 a 8, e o Seattle Seahawks pôde enfim conhecer de perto o Troféu Vince Lombardi.

Compartilhe!Share on Facebook
Facebook
Tweet about this on Twitter
Twitter

Comentários