Super Bowls históricos: relembre o SB XLII entre Patriots x Giants

Eli Manning comemorando a virada (Reprodução/Giants)

Possivelmente a maior zebra da historia do Super Bowl, e com certeza entre as maiores de todos os esportes, em todos os tempos. Essa é a proporção da vitória do New York Giants de um questionado Eli Manning sobre o New England Patriots, até então, perfeito, de Tom Brady. Certamente todo o fã de NFL já ouviu falar na histórica final que hoje vamos recontar no quadro Super Bowls históricos.

O lendário conto de “Davi x Golias” talvez seja a melhor definição para este duelo, realizado no dia 3 de fevereiro de 2008, no University of Phoenix Stadium, em Arizona. Uma data eternamente marcada no coração e na alma dos torcedores de ambas as equipes. A rivalidade New York vs. Boston ganhava um novo capítulo, tão chocante e surpreendente quanto as historias do beisebol, do basquete.

Relembre o contexto do Super Bowl 42

Os Giants chegavam com uma campanha de 10-6 na temporada regular de 2007. Eli Manning, o principal quarterback selecionado no Draft de 2004, parecia ser apenas um jogador sólido. Com temporadas medianas até então, muitos colocavam Eli como um “jogador aceitável, mas não capaz de guiar sua equipe a um título”.

A equipe também teve problemas de contusão importantes, perdendo o RB Derrick Ward durante a temporada, além do LB Mathias Kiwanuka e do TE Jeremy Shockley. NY chegou aos playoffs como um completo azarão e derrubou Tampa Bay Buccaneers, Dallas Cowboys e Green Bay Packers, todos fora de casa, na rota para a grande final.

Do outro lado, os Patriots, vindos de uma campanha literalmente, perfeita. Invictos na temporada regular, o time de Bill Belichick tinha uma defesa forte, experiente e um ataque que encantava a NFL. Com a aquisição do extraordinário Randy Moss via troca e com a ascensão de Wes Welker como uma máquina no slot, o ataque de New England parecia uma máquina imparável.

Brady quebrou o recorde de TDs aéreos na temporada, com 50, e seu principal alvo, Moss, recebeu 23 desses touchdowns, quebrando um record da NFL também. No todo, os Patriots apresentavam um dos melhores times de todos os tempos e, inclusive ainda naquela temporada, já haviam batido os Giants, exatamente no último jogo da temporada regular, fora de casa, para selar a temporada perfeita do time de Boston e oficializar a quebra de vários recordes.

1° quarto – Giants na frente

Depois de vencerem o cara ou coroa e iniciarem com a posse de bola, os Giants tiveram a maior campanha (em tempo) da historia do Super Bowl. Um drive de 9 minutos e 59 segundos, com quatro conversões de 3rd down. Foram 16 jogadas e 63 jardas conquistadas, porém, apenas um field goal veio disso tudo. New England conseguiu conter NY em sua red-zone e Lawrence Tynes deu números iniciais ao placar do jogo com um chute de 32 jardas. 3×0 Giants.

Laurence Maroney foi a grande chave da primeira campanha dos Pats. Com um retorno de kickoff de 43 jardas e duas corridas de 15 jardas, o running back colocou sua equipe rapidamente em posição de empatar o jogo. Em uma 3ª para 10, o TE Ben Watson sofreu uma interferência defensiva na end zone e, como consequência, os Patriots tiveram uma 1st and goal na linha de uma jarda. Começaríamos o segundo quarto com New England a beira de um touchdown.

Touchdown dos Giants (Reprodução/Giants)

2° quarto – Patriots tomam a frente

Os Patriots não perderam a grande oportunidade e Laurence Maroney invadiu a endzone adversária para anotar o primeiro TD da partida. Conversão realizada com sucesso, 7×3 Pats.

No drive seguinte de NY, a equipe parecia caminhar bem pelo campo, incluindo uma linda recepção do veterano Amani Toomer para 38 jardas. Porém, as chances de pontos foram por água abaixo três jogadas depois, quando um passe direcionado para o novato Steve Smith foi ‘desviado’ pelo WR e acabou caindo nas mãos de Ellis Hobbs. Interceptação New England!

Entretanto, nada veio dessa INT. Os Patriots logo devolveram a bola para New York. Uma batalha defensiva começava a tomar conta do jogo nesse momento. Ahmad Bradshaw sofreu e recuperou um fumble durante um handoff numa jogada terrestre.

Após mais campanhas sem pontuação e um novo fumble de Eli Manning, novamente recuperado por sua equipe, New England parecia ter uma boa chance de aumentar sua liderança no final do primeiro tempo. Após boas recepções de Donté Stallworth e Randy Moss, porém, Tom Brady foi sackado por Justin Tuck, perdendo posse da bola e matando qualquer chance de pontuação ainda naquele período. Final de primeiro tempo, Patriots 7 x 3 Giants.

3° quarto – Batalha defensiva

Um período extremamente acirrado defensivamente. As equipes pareciam não conseguir mover a bola pelo campo, e o placar mantinha-se o mesmo. Os Pats tiveram uma boa oportunidade novamente, após uma penalidade durante um punt. Chase Blackburn, de New York, foi penalizado por não conseguir sair de campo a tempo, configurando uma falta de “12 homens em campo”.

Com a primeira descida, New England seguiu no ataque e logo se viu em uma situação decisiva. Bill Belichick tinha que decidir entre um arriscado field goal de 49 jardas, um punt, ou uma improvável conversão de 4ª para 13. Ele optou pela última opção e o passe de Tom Brady para Jabar Gaffney foi incompleto. Turnover on downs, e vamos para os derradeiros últimos minutos da temporada.

4° quarto – Momentos decisivos e viradas

Senhoras e senhores, esse jogo toma um ritmo completamente diferente em seu segmento final. Logo de cara, os Giants vieram com uma postura mais agressiva ofensivamente, o que rendeu frutos positivos aos homens de branco.

Na primeira campanha do quarto final, Kevin Boss, um tight end novato, teve uma bela recepção de 45 jardas. Steve Smith recuperou-se de seu drop mais cedo no jogo e converteu uma terceira descida com uma recepção de 17 jardas. Foram 7 jogadas, 80 jardas cobertas em quase cinco minutos, culminando no primeiro grande momento do desconhecido David Tyree na partida, uma recepção de 5 jardas para touchdown. Giants na frente novamente, 10×7.

Com 7:54 no relógio, começava a campanha de virada dos Pats. Com ganhos metódicos, passes curtos, eficiência, do jeito que Tom Brady gosta. Foram diversas recepções de Wes Welker no slot, misturando com boas corridas de Laurence Maroney. A defesa dos Giants parecia focada demais em Randy Moss nesse momento do jogo.

Finalmente próximos ao touchdown da virada, New England foi cirúrgico. E New York, que não dava espaço para Moss, falhou neste exato momento. Corey Webster escorregou na cobertura sobre o camisa 81, lhe dando toda a end zone para uma fácil recepção de 6 jardas que colocava os Pats na liderança novamente, com 2:42 por jogar, 14×10 New England.

Logo em sua primeira tentativa de recuperação, os Giants enfrentaram uma 4th and 1. Brandon Jacobs, um enorme e bruto running back, conseguiu 2 jardas importantíssimas para realizar a conversão. Eli Manning correu para 5 jardas logo a seguir. Então, David Tyree foi seu foco novamente.

Uma sequência para a historia

Helmet Catch – uma das jogadas mais famosas da NFL (Reprodução/Giants)

Um passe alto, direcionado para Tyree…incompleto. Nas mãos do cornerback Asante Samuel, que teve a chance de selar o final da temporada perfeita ali, naquele momento. A bola passou entre os dedos de Samuel, e New York teve mais uma chance. Eli Manning parecia irritado, nervoso com alguma falha de comunicação e execução da rota de seu wide receiver.

1:15 no relógio, 3ª para 5, toda a pressão do mundo sobre os ombros de Manning. O pass rush dos Patriots passa por cima da linha ofensiva de NY e Eli se vê em busca de um milagre. Primeiro, ele evita Adalius Thomas, sobrevivendo na jogada. Depois, de alguma forma quase sobrenatural, ele consegue escapar de Jarvis Green e Richard Seymour, quando ambos tiveram breve controle de Manning, o puxando pela camisa. O número 10 não desistiu, achou um espaço e lançou uma bola desesperadamente para o meio do campo.

E ali estava David Tyree, novamente. O camisa 85 saltou para disputar a bola contra um dos safeties mais duros e eficientes da liga, Rodney Harrison. Uma batalha em milésimos. Harrison, pendurado no braço direito de Tyree, tentando ‘quebrar’ a recepção. Tyree, pressionava a bola contra seu capacete, com a ponta de seus dedos da mão direita e algum auxílio da mão esquerda. Uma queda brusca, e a bola estava nas mãos do até então desconhecido jogador dos Giants. Um balde de água fria nos Patriots, uma sobrevida para New York.

Isso não foi o suficiente. Manning ainda teve que batalhar mais. Encontrou Steve Smith em uma dura conversão de 3ª para 11, mantendo New York vivo no jogo. Então, finalmente, a grande virada.

Com 39 segundos no relógio, a defesa de New England parecia desesperada. Blitz atrás de blitz, tentando conter o ataque a qualquer custo. Plaxico Burress correu uma rota perfeita, fingindo um slant para dentro e quebrando para fora, numa rota go, driblando totalmente a marcação de Ellis Hobbs. Um passe perfeito, uma rota perfeita, touchdown Giants, 17×14.

Agora quem necessitava um milagre era New England, com 29 segundos e três timeouts para utilizar. E de alguma forma, os Patriots QUASE conseguiram. No penúltimo passe do jogo, Brady, no desespero, lançou a bola 70 jardas no ar. O incansável e imparável Randy Moss, bateu seus marcadores por alguns passos e, com o passe prestes a cair em suas mãos, a ponta dos dedos de Corey Webster, aquele mesmo que havia sido “queimado” por Moss anteriormente, evitou o destino final do passe. A seguir, outra tentativa de Hail Mary, falhada.

Pós-jogo

Se encerrava ali, para muitos, o maior Super Bowl de todos os tempos. Davi havia batido Golias, da forma mais miraculosa possível. Uma batalha que ficará marcada pela eternidade. Os invictos, caem no último jogo. Os azarões desacreditados, levam o troféu Vince Lombardi para casa.

Eli Manning pode não ter tido números brilhantes na vitória, mas ele teve muito mais que números. Foi frio, letal, decisivo, no momento mais difícil da partida. Calou os críticos e derrubou a “equipe perfeita”. Manning foi eleito o MVP deste Super Bowl, completando 19 de 34 passes para 255 jardas, 2 touchdowns e 1 interceptação.

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