Contrato “de uma década” de Mahomes é o quinto para um QB nos últimos 20 anos; Veja os demais

Patrick Mahomes terá seu contrato estendido até 2031

O anúncio da renovação de Patrick Mahomes com o Kansas City Chiefs na noite de segunda-feira (06) “chocou” o mundo da NFL. Com cifras históricas e jamais vistas no futebol americano, o superastro estendeu seu vínculo com a equipe de KC por mais dez temporadas.

Contratos longos são uma raridade na NFL. Em um esporte de tanto contato físico, as contusões são extremamente frequentes e as equipes não gostam de se prender contratualmente a um atleta por grandes períodos. Mas aqui, estamos falando de um talento generacional. Talvez o melhor QB em atividade no esporte. A dimensão do contrato é compreensível e até justa, tanto para os Chiefs como para Mahomes.

Porém, o quão comum é um contrato de dez anos na NFL? Para se ter noção, nos últimos 20 anos, apenas quatro atletas assinaram por uma década com seus respectivos clubes (sem contar Mahomes). Aqui, vamos falar desses quatro quarterbacks, Drew Bledsoe, Brett Favre, Donovan McNabb e Daunte Culpepper. Por que receberam um contrato longo? Como foram suas carreiras durante o longo termo? Ente outras questões interessantes, confira!

Drew Bledsoe (2001) – New England Patriots

Bledsoe era o titular em New England antes de um certo Tom Brady (Reprodução/Patriots.com)

Você deve estar se perguntando: como assim, um contrato enorme em New England, exatamente na temporada em que Tom Brady conquistou o primeiro Super Bowl de sua carreira?! Sim. Drew Bledsoe era o grande destaque daquela equipe dos Patriots, que começava a ter a cara de Bill Belichick, aos poucos.

Selecionado com a 1ª escolha geral pelos Pats no draft de 1993, Bledsoe era um QB sólido. Em 1995, liderou a equipe a uma participação improvável no Super Bowl XXXI, onde foram batidos pelo forte Green Bay Packers de Brett Favre por 35×21.

Em 2001, recebeu um contrato de 10 anos pelo valor de US$ 103 milhões. Era a grande estrela da equipe, até o segundo jogo da temporada. Um tackle feroz de Mo Lewis, do New York Jets, colocou um ponto final no ano de Bledsoe. E pior: um vaso sanguíneo rompido em seu peito devido ao hit quase tirou sua vida.

Então um jovem Tom Brady tomou seu lugar. Sem muitas esperanças aparentemente, foi liderando a equipe num caminho improvável ao título daquela temporada. Bledsoe, recuperado, se tornou o reserva. Porém, na final da AFC daquele ano, contra os Steelers, Brady se machucou e o camisa 11 teve sua importância. Liderou os Pats do 2° quarto em diante, incluindo uma campanha decisiva nos momentos finais. No Super Bowl, Brady voltou a equipe e nunca mais abandonou o posto de titular.

Bledsoe foi trocado para o Buffalo Bills, que assumiu seu enorme contrato, necessitando de um QB para liderar a franquia. Até teve números decentes, mas nunca chegou a algum lugar. Cortado em 2005, foi para o Dallas Cowboys, onde teve desempenho fraco e cedeu lugar a um jovem Tony Romo. Se aposentou ao final da temporada 2006.

Na carreira: 44.611 jardas, 251 TD, 206 INT, 4 Pro Bowls, 1 Super Bowl.

Brett Favre (2001) – Green Bay Packers

Brett Favre, lenda dos Packers e membro do Hall da Fama da NFL

Recentemente aqui no Endzone, apresentamos uma bela biografia de Brett Favre, um dos maiores quarterbacks da NFL. Vale um clique para saber em detalhes, tudo sobre a carreira do grande “Gunslinger”.

Favre era o cara da NFL nos anos 90. Três MVPs consecutivos entre 95 e 97, um título de Super Bowl (sobre o previamente citado Drew Bledsoe), uma das figuras mais populares e queridas da liga.

Em 2001, os Packers decidiram que queriam ter Brett vestindo verde o resto de sua carreira. O contrato de dez anos (por cerca de US$ 100 milhões) foi assinado finalmente. O camisa 4 vivia o pico de sua carreira, embora não conseguisse levar o time novamente ao jogo mais importante do ano.

Na fase final de sua carreira com Green Bay, tragédias pessoais e mortes em sua família atrapalharam sua trajetória. Mas nada tirava o ”Homem de Ferro” de dentro de campo. Ele seguia quebrando recordes, seguia sendo o ‘dono do time’.

Após a conclusão da temporada 2007, de forma dramática caindo para o New York Giants na final da NFC, começaram-se as fortes especulações de aposentadoria. No começo do ano seguinte, ele anunciou sua aposentadoria, passando a titularidade para Aaron Rodgers nos Packers.

Porém Brett não resistiu ficar fora dos campos por muito tempo. Voltou atrás e assinou com o New York Jets. Após uma temporada fraca e muita especulação, ele foi para o Minnesota Vikings, onde liderou a equipe a final da NFC em 2009. Finalmente, após a temporada de 2010, Favre se aposentou de vez.

Na carreira: 71.838 jardas, 508 TD, 336 INT, 11 Pro Bowls, 1 Super Bowl, eleito para o HOF.

Donovan McNabb (2002) – Philadelphia Eagles

Donovan McNabb, líder dos Eagles no começo dos anos 2000

Selecionado com a 2ª escolha geral no draft de 1999, se tornou titular apenas no ano seguinte. Logo em 2000, terminou em segundo na votação para MVP. Mostrava um potencial absurdo e reerguia rapidamente a franquia da Philadelphia, que passava por um momento de reconstrução.

Seu estilo agressivo, ousado e sua extrema mobilidade, lhe colocavam em um nível diferenciado dos outros QBs “clássicos” da liga. Mostrando rápida evolução, em 2002, recebeu um contrato de 12 anos no valor de US$ 115 milhões.

Logo, os Eagles começaram a sentir os danos que esse contrato poderia causar. Na temporada seguinte, uma contusão no tornozelo tirou muita da mobilidade e velocidade que McNabb apresentava no começo da carreira.

O auge do camisa 5 em Philly veio em 2004. Uma participação no Super Bowl XXXIX, após três anos batendo na trave e recebendo a marca de “pipoqueiro” por muitos. Caiu perante aos Patriots de Tom Brady, mesmo tendo uma ótima performance, que provou não sendo o suficiente naquela noite.

Seus anos finais foram marcados por controvérsias, brigas com seu principal recebedor (Terrell Owens), contusões e uma queda brusca de rendimento. De ídolo, chegou a um nível de detestado por alguns torcedores. Ainda teve passagens de um ano por Washington Redskins e Minnesota Vikings antes de se aposentar.

Na carreira: 37.276 jardas, 234 TD, 117 INT, 6 Pro Bowls

Daunte Culpepper (2003) – Minnesota Vikings

Daunte Culpepper viveu seu auge nos Vikings, porém foi atrapalhado por uma grave contusão

Selecionado também no draft de 1999, Culpepper enchia os olhos de quem o via em campo. Alto, forte como um tanque, tinha um braço espetacular e uma mobilidade absurda para alguém do seu tamanho.

Logo em 2000, guiou os Vikes até uma final de conferência, embora tenham sofrido uma surra dos Giants no jogo, por 41×0. Daunte evoluía temporada a temporada e sua dupla com Randy Moss era uma das mais eficientes e mortíferas da liga.

Após uma temporada complicada em 2002, se recuperou com tudo no ano seguinte, embora não tenha conseguido levar a equipe aos playoffs. Então veio o contrato de 10 anos e US$ 102 milhões, uma garantia de que os Vikings acreditavam em seu QB.

Quebrou recordes em 2004, com um total de 5.123 jardas somadas (passadas e corridas). Performances incríveis lhe consolidavam como um dos melhores da NFL, até o começo de 2005, quando uma grave contusão lhe causou o rompimento de três dos quatro principais ligamentos do joelho.

Ali, Culpepper parece ter perdido seu amor pelo esporte. Brigas, confusões, polêmicas e uma complicada recuperação física encerraram seu período em Minnesota. Trocado para o Miami Dolphins, nunca mais conseguiu jogar mais do que 8 partidas em uma temporada.

Passou vergonha em Miami, teve fraco desempenho em Oakland um ano depois e encerrou a carreira como membro de um dos piores times da historia, o Detroit Lions dos anos 2008/09.

Na carreira: 24.153 jardas, 149 TD, 106 INT, 3 Pro Bowls.

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