Lendas da NFL: a biografia do quarterback Drew Brees

Drew Brees é um dos maiores quarterbacks da história da NFL (Reprodução/Saints)

Quando se fala dos melhores quarterbacks da atualidade, impossível deixar o nome de Drew Brees de fora. Apesar de ter conquistado ‘apenas’ um Super Bowl, ele foi um dos melhores da posição que pisaram em um gramado da NFL nos últimos anos. Além dos inúmeros recordes, ele foi o principal responsável por mudar totalmente a história do New Orleans Saints na liga. Transformar um time medíocre em competitivo por quase duas décadas não é pouca coisa.

Muito inteligente em campo, o camisa 9 lia como poucos as movimentações da defesa e fazia ajustes para a jogada ser produtiva. A precisão nos passes era assustadora – tanto que ele possui quatro das cinco temporadas com maior porcentagem de passes completos da história. ‘A cara e o cara’ dos Saints, fez ao lado do técnico Sean Payton uma das maiores parcerias da história.

Não é exagero nenhum dizer que Drew Brees possui um lugar reservado no panteão dos melhores de todos os tempos – o Hall da Fama da NFL em Canton, Ohio. Os números não mentem. Além do recorde absoluto de jardas aéreas da NFL (80,358) e passes completos (7,142), Brees é o segundo em passes para touchdown (571) e em porcentagem de passes completos – sua marca registrada (67,7%). São 13 Pro Bowls, dois Offensive Player of the Year o título do Super Bowl na temporada 2009 – inclusive faturando o MVP da grande final.

Sem mais delongas, a biografia de Drew Brees!

Veja também:

Inicio na Westlake High School

Nascido em Dallas em 1979, Drew Brees quando criança já sonhava em seguir os passos do avô Ray Akins e do tio Marty Akins e se destacar no College Football. Mal sabia ele que o destino reservava voos bem mais altos. Destaque em todos os esportes, o garoto logo ganhou uma chance na competitiva Westlake High School e em 1995 assumiu a posição de quarterback titular.

A decisão chamou atenção, pois se tratava de um garoto baixo para os padrões e bem magricela. Logo Drew impressionou a todos com um braço incrível e, seu grande diferencial, uma leitura perfeita do jogo e das defesas adversárias. Estava nascendo uma lenda da NFL.

Drew fez história na Universidade de Purdue

Apesar dos números incríveis no colegial, apenas duas grandes universidades deram a ele uma chance: Kentucky e Purdue. Como seria quase impossível ganhar a posição de titular de Tim Couch na primeira, o jovem fez as malas e desembarcou nos Boilemakers em 1997.

Mais uma vez o esteriótipo de um QB jovem e magricela não agradou aos fãs – e Brees pouco jogou no ano de calouro. Assim como no colegial, isso logo mudou. Drew foi incrível nos três anos seguintes – uma máquina de jardas e touchdowns lançados. O jovem QB fechou sua participação em 2000 com o título da Big Ten e ficou em quarto na votação do Heisman Trophy. A ascensão na NFL era uma questão de tempo.

Primeiros anos no San Diego Chargers

Brees acompanhou com expectativa o Draft de 2001, entretanto, se decepcionou ao não ser escolhido na primeira rodada. Apesar do talento já demonstrado, os analistas da época não levaram fé no quarterback, por ter uma estatura baixa demais para os padrões da NFL. O San Diego Chargers, que já havia selecionado o monstro RB LaDanian Tomlinson na primeira rodada, não acreditou quando viu Brees ainda disponível e utilizou a primeira escolha da segunda rodada para selecionar o QB.

Reserva do veterano Doug Flutie em seu primeiro ano na liga, Brees assumiu o posto de titular dos Chargers em 2002. Drew logo mostrou que a questão da altura não seria um problema – lançando mais de 3 mil jardas e 17 TDs naquela temporada. Em 2003 as coisas mudaram um pouco – as atuações irregulares fizeram com que ele perdesse o posto de número um ao longo da temporada.

Com a aposentadoria de Flutie no fim daquele ano e a temporada ruim de Brees, San Diego tratou de selecionar o QB Philip Rivers no Draft de 2004. Como Rivers perdeu boa parte do training camp por uma questão contratual, Drew Brees foi o titular naquele ano. O camisa 9 foi brilhante: venceu o prêmio de comeback of the year e levou a equipe aos playoffs. Logo os dirigentes dos Chargers mudaram de ideia e colocaram a “franchise tag” no jogador.

Drew teve mais um bom desempenho em 2005, mas sofreu uma grave lesão no último jogo da temporada contra o Denver Broncos: ele rompeu o labro direito e lesionou o manguito rotador. Muitos duvidaram se o quarterback conseguiria lançar uma bola oval novamente. Livre no mercado, Brees assinou com o New Orleans Saints – contratação de alto risco que despertou a ira de muitos torcedores da Big Easy.

Começo avassalador nos Saints na parceria com Sean Payton

Como todos sabem, o sentimento de frustração com a chegada de Drew Brees não durou muito tempo. Devastada pelo furacão Katrina em agosto de 2005, o espírito de renovação e volta por cima em Nova Orleans se refletiu também no time da cidade. Os Saints tiveram uma temporada espetacular em 2006 – primeiro ano da parceria entre Brees e o também recém-chegado técnico Sean Payton.

Ao lado do RB Deuce McAllister e jovens talentos como Reggie Bush e Marques Colston, o camisa 9 teve o melhor ano de sua carreira até então, mostrando estar totalmente recuperado da contusão. Ele liderou o desacreditado time a final da NFC, ficando a apenas uma partida de disputar o Super Bowl daquele ano. Apesar da derrota para o Chicago Bears na final da conferência, era o início de uma nova dinastia ofensiva na NFL.

Brees conquista o Super Bowl em 2009

Mesmo sem chegar na pós-temporada nos próximos dois anos, Brees lançou 9,502 jardas e 62 touchdowns, mostrando que o ataque dos Saints tinha potencial para chegar longe. Fato que se concretizou em 2009: a parceria entre Drew Brees e Sean Payton rendeu ao New Orleans Saints o primeiro Super Bowl da franquia.

Após uma temporada irrepreensível de 13-3, New Orleans confirmou o título após vencer nada menos que o Indianapolis Colts de Peyton Manning na grande final. Era a afirmação que faltava para Brees marcar seu nome como um dos melhores de todos os tempos.

Drew seguiu em alto nível, mas não voltou ao Super Bowl

Com a responsabilidade de defender o título no ano seguinte, o camisa 9 liderou os Saints mais uma vez aos playoffs, mas o time caiu diante do Seattle Seahawks no barulhento CenturyLink Field. O RB Marshawn Lynch no seu famoso “beast mode” destruiu a defesa adversária. No ataque, Brees sofria com um jogo terrestre quase que inexistente.

Apesar de mais uma vez ficar pelo meio do caminho na pós-temporada, foi em 2011 que Drew Brees teve o melhor ano de sua carreira. Mesmo com a derrota por 36 a 32 para o San Francisco 49ers no Divisional, um dos melhores jogos da história da NFL com quatro viradas no último período, Brees trucidou o recorde de jardas totais em uma temporada regular de Dan Marino que durava 27 anos. Ele lançou 5,476 jardas – marca superada somente por Peyton Manning em 2013.

Depois de três temporadas consecutivas, New Orleans não foi aos playoffs em 2012 -reflexo das punições que o time sofreu pelo escândalo do “bountygate” (pagar para atletas machucarem os jogadores adversários). Brees teve um ótimo ano, mas a defesa dos Saints foi a pior da NFL na maioria das estatísticas. A ausência de do técnico Sean Payton, suspenso pela temporada inteira, foi determinante no desempenho do time.

Com Payton de volta ao comando da equipe, Brees liderou os Saints rumo aos playoffs pela quinta vez em 2013. Apesar da temporada muito boa, o camisa 9 foi parado totalmente pela espetacular defesa do Seattle Seahawks no Divisional Round.

Brees brilhava, mas defesa dos Saints não ajudava

O período de 2014 a 2016 foi o pior dos Saints sob a batuta de Brees – com três anos consecutivos com campanhas 7-9. Curiosamente, estes foram três dos melhores anos de Drew como profissional – uma máquina de jardas e touchdowns.

Embora o ataque de New Orleans estivesse voando, nos três anos no top 2 em jardas, a defesa era simplesmente horrorosa. O ano de 2016 simboliza bem este período: o ataque dos Saints foi o melhor em jardas e o segundo que mais pontuou, mas a defesa foi a segunda pior cedendo pontos e a quinta pior em jardas. Assim não há como vencer na NFL.

Brees buscou o segundo anel até o fim, mas o titulo não veio

Com Brees já flertando com a aposentadoria nos últimos anos de carreira, a principal meta em New Orleans era de dar ao QB um time para vencer mais uma vez antes de pendurar as chuteiras. Embora os Saints tenham brilhado nas temporadas regulares de 2017 a 2020, com um recorde incrível de 49-15, o tão sonhado segundo anel não veio.

Nos quatro anos os Saints venceram a NFC South, mas caíram nos playoffs. Os desempenhos ruins na pós-temporada renderam a Brees uma alcunha, injusta, de ‘amarelão’ nos jogos decisivos.

Em 2017 o time caiu para os Vikings no Divisional de forma inacreditável – jogo inclusive apelidado de “O Milagre de Minneapolis”. Já em 2018 veio a maior decepção possivelmente da carreira do QB: os Saints estavam a um passo do Super Bowl, mas um erro bizarro da arbitragem na final da NFC contra os Rams acabou tirando a vitória dos Saints.

No ano seguinte a equipe realmente ‘pipocou’ e, após um 13-3 na temporada regular, caiu de forma surpreendente para o Minnesota Vikings (mais uma vez). Em 2020 o revés foi ainda mais dolorido – diante do rival Tampa Bay Buccaneers no Divisional (time que havia ‘varrido’ na temporada regular). A derrota para Tom Brady com contornos de crueldade marcou a última vez que Drew Brees pisou em um gramado da NFL.

Aposentadoria

Após 20 anos de muito sucesso e inúmeros recordes na conta, a trajetória de Drew Brees na NFL chegou ao fim. O quarterback ‘terceirizou’ o anúncio de sua aposentadoria após a temporada 2020 – postando um vídeo nas redes sociais com os quatro filhos contando que o pai não jogaria mais na NFL. No mesmo dia, Drew logo foi anunciado como novo comentarista da rede NBC.

Drew Brees certamente terá um lugar no Hall da Fama da NFL. Um verdadeiro líder dentro e fora de campo – capaz de dar a volta por cima e resgatar o orgulho de toda uma cidade devastada por uma tragédia. Um exemplo a ser seguido pelas próximas gerações.

Tags: , , , , , ,

Jornalista de Jundiaí e apaixonado pela NFL, Matheus Filippi é fundador e editor-chefe do Endzone Brasil

Mais notícias